Qual a ligação entre Religião e Meio Ambiente?
Para quem não sabe, eu estagio na CESE, Coordenadoria Ecumênica de Serviço, uma organização não-governamental que apoia iniciativas populares no país, em especial àquelas ligadas aos movimentos sociais. Com certa ligação com igrejas, o tema religião é recorrente na CESE. Mas como ecumênica, entende-se um debate mais abrangente e inclusivo. Hoje participei de uma palestra cujo tema era justiça ambiental, o papel da igreja e como a população – principalmente a menos abastada -, irá sofrer com as mudanças climáticas. Além de outras exposições, como exemplos de pequenos projetos que atuam como agentes locais de mudança, no interior da Bahia, e de como o aumento global da temperatura impactará as relações humanas e biodiversidade, houve uma discussão interessante sobre a influência da igreja e como ela deve agir frente a este desafio.

Pôr do sol no Rio Rio São Francisco
A fala que mais me chamou atenção foi a do Frei Luiz Cappio, aquele famoso pelas greves de fome em 2005 e 2007, em Barra, interior da Bahia. Bastante simpático, ele citou muitos aspectos relacionados ao uso racional da água e de como as comunidades ribeirinhas dependem do Velho Chico para sobreviver. O São Francisco, 8º maior rio do mundo em extensão, tem uma grande importância histórica no desenvolvimento das localidades onde ele cruza. Estima-se que aproximadamente 16 milhões de pessoas – quase 9% da população do país - dependem, de alguma forma, de sua atuação. O Frei ressalta o motivo de ter feito o jejúm: provocar maior discussão e democratização das informações e projetos de transposição do Rio. Para ele, projetos como este e o de Belo Monte são ante-constitucionais, já que segundo a constituição os investimentos prioritários em recursos hidrícos devem ser canalizados para a sobrevivência do homem. Estes grandes projetos servem apenas aos interesses dos mais ricos, e da agroindústria e indústria energética.É preciso que nos unemos na construção de um discurso único, desfragmentando assim a luta contra as mudanças climáticas.
Acho totalmente válido seus argumentos, e acrescento que as igrejas, ao menos as que tenho contato, já começam a se preocupar também com assuntos que não costumavam atentar. É preciso pensar adiante e convergir nossos esforços. E a Igreja ocupa um lugar importante na sociedade, de liderança, que deve ser levado à sério e tomado em prol das causas de interesse público, como a ambiental. Não discuto aqui os muitos que utilizam da religião para enganar e furtar do povo através de uma utópica esperança ou sei lá o quê. Mas o que é interessante discutir é como a religião pode abarcar e ajudar no problema do meio ambiente. Isso me lembra muito a Marina Silva e toda sua história, mas pricipalmente a perspectiva de futuro sustentável, baseado numa economia sustentável que ela propõe.


11. jun, 2010 






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