Projeto de Lei pretende legalizar Vaquejada como prática esportiva
O que dizer de uma briga generalizada entre torcedores, como aconteceu antes do clássico entre Palmeiras e Corinthians, pela primeira fase do Paulistão desse ano? E o Neymar e o Lucas que, entre outros gênios da bola, são vítimas de inúmeras faltas a cada partida? Isso revolta, não é mesmo? E quando a violência passa a ser considerada um ESPORTE? É o que acontece, ou melhor, vai acontecer (legalmente) com a vaquejada. Ao menos é esse o objetivo do Projeto de Lei 3024/11 do Deputado Paulo Magalhães (PSD-BA).
A vaquejada tem origem no nordeste, e consiste de uma competição onde dois vaqueiros devem conduzir um bovino até a área delimitada, para assim derrubá-lo. A origem é antiga, dos tempos dos coronéis. Os animais que escapavam deviam ser recuperados pelos vaqueiros, que desafiavam espinhos e matas cerradas em busca dos bois. Alguns destes bois se reproduziam no mato, e seus filhotes se tornavam ‘selvagens’ por nunca terem tido contato com os humanos. Como havia sempre alguns peões que se destacavam no sucesso da busca, a ideia de transformá-la em competição surgiu. Antes de entrar de cabeça nos direitos dos animais e na minha própria opinião, quero frisar que, no começo, a atividade era necessária para a recuperação do gado, mas agora, transformou-se em ‘esporte’(?).
Não vou discutir embasar-me na questão financeira da tal atividade, tampouco na cultural, afinal, como já disse na postagem ‘Cultura ou crueldade?’, todas elas deveriam ser respeitadas, ao mesmo passo que também respeitem. Mas, será mesmo que a vaquejada deve ser considerada uma atividade esportiva, de lazer, e entretenimento? Aposto que muitos pais deixam de levar seus filhos aos estádios com medo da violência. Vamos a outro esporte, o atualíssimo e prestigiado UFC. Trata-se de seres racionais, treinados, preparados e com o livre arbítrio de estar ali; lutando em um ringue e sendo observados pelo mundo. Isso sim é um esporte, por mais que seja violento, é também técnico e, acima de tudo, deve respeitar a integridade dos seus praticantes. Ainda assim, ele é visto com repúdio por muitos. Mas, e no caso da vaquejada, onde a violência é explícita e garantida? Como não é realizada entre ou contra humanos, parece que não há problema. Touradas, rodeios, vaquejadas… Para mim são todas farinhas do mesmo saco. Ambas consistem em utilizar um animal, que não teve escolha, e estressá-lo sem um motivo aparente, a não ser entretenimento.
Imagine-se no lugar de um animal em uma prática dessas: você não fez nada para estar ali, mas será obrigado a permanecer. Querendo ou não, mais uma vez, você vai se estressar com tanto barulho e agitação, fora os maus tratos e excitações (que os que apoiam a causa negam existir) que você recebe para sair correndo com mais ‘entusiasmo’, que na verdade é uma mistura de medo e outras sensações. O que você faz? É um animal, seguirá seu instinto. E, após solto, enquanto acuado, apavorado, tentando fugir ou se defender, vão te derrubar, podendo quebrar ossos, causar lesões, sem falar no trauma psicológico. Leitor, agora te liberto da condição de boi. É que preciso contar um caso que li, certa vez, onde um garrote (que é o bezerro mais ‘crescidinho’) teve de ser sacrificado, pois durante a queda, fraturou a espinha e ficou tetraplégico. Lágrimas de ódio e tristeza vêm aos meus olhos quando imagino a cena vivida pelo pobre animal, que não fez nada para merecer aquilo, e ainda pagou com sua humilde vida uma atividade que agora poderá passar a ser vista como um esporte qualquer.
Como pode?! Já me admira que em um mundo tão desenvolvido existam atividades que envolvam o sofrimento animal de forma clandestina, e agora uma dessas barbaridades será legalizada?! É de entristecer (e revoltar) qualquer pessoa com um pouco de consciência. O animal é como o ser humano, também sente frio, fome, medo, dor, da mesma forma que merece ter uma vida digna, e ao menos respeitada.
O que será da cultura brasileira, do esporte, e desses indefesos animais se essa lei entrar em vigor? Lamentável, vergonhoso, cruel, são algumas das palavras que encontrei para dizer o que acho a respeito. Devemos ficar atentos, protestar e levantar nossa voz contra essa barbaridade anunciada, na esperança de que o homem aprenda logo que só é possível viver em harmonia com o próximo, seja ele bovino ou humano, quando houver respeito mútuo.


16. abr, 2012 






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