Presos pedalam para gerar energia: mas, isto é sustentabilidade?

Detentos do presídio da cidade de Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais, estão pedalando para gerar energia elétrica. A iniciativa foi proposta pelo juiz da cidade, José Henrique Mallmann, que baseou-se em ideias na internet para criar o Projeto Luminar.

Atualmente, o presídio possui duas bicicletas adaptadas. Mas a meta é ter dez bicicletas e, com isso, energia suficiente para iluminar uma avenida da cidade. Os presos que participam do projeto têm redução da pena: para cada 16 horas pedaladas, ou seja, dois dias de trabalho, um dia é descontado da pena.

Pela lei, os detentos não são obrigados a pedalar. Mas segundo o diretor do presídio, os presos gostaram da iniciativa. “Eles estão se sentindo úteis pedalando”, disse o diretor ao site G1.

Ainda segundo ele, um fator que tem contribuído para a participação dos presos, além da remissão da pena, é a de “produzir energia, energia saudável”, e completa, “hoje se fala muito em sustentabilidade”.

Aí está o ponto, isso é sustentabilidade? Acredito que não. Existem formas mais sustentáveis de gerar energia, sem colocar uma pessoa para pedalar oito horas. Andar de bicicleta é uma atividade física desgastante, que exige muito do corpo, tanto que academias recomendam uma série de exames para que se possa iniciar uma atividade deste tipo. Mas, será que os presos passaram por exames? Possivelmente não.

Existem outras formas de ressocialização, e que incluem o trabalho. Seria mais eficaz se estes detentos estivessem estudando, terminando seus estudos, e talvez aprendendo uma profissão, para que quando saíssem do presídio não precisassem voltar ao crime. Ou os criadores, e incentivadores, do projeto acham que os presos saírão da prisão habilitados ao trabalho desta forma. Eles apenas sairão da prisão mais cedo.

Mas o que vocês acham da iniciativa? Deveria ser exemplo para outros presídios?

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  • http://www.facebook.com/leal.alana Alana Leal

    Pode não ser considerado realmente sustentabilidade, mas certamente eleva a auto estima dos detentos uma vez que eles se sentem úteis e participativos na sociedade, o que pode influenciar na mudança de atitude deles.

    • Danilo Rocha

      Não acredito que eles realmente se sintam úteis, é apenas um forma de reduzirem o tempo de pena. Poderiam está aprendendo um profissão, estudando, existe centenas de projetos em que presos fabricam móveis escolares etc, aí sim, eles se sentiram úteis, e além disso teriam um profissão, dignidade, e não precisariam voltar ao crime.

  • Luís Costa

    Na minha opinião, se o fizerem de forma voluntária e com os exames médicos sugeridos, é sustentabilidade. O fato de andarem de bicicleta não é impeditivo que aprendam uma profissão.

    Deixo uma questão. Muita gente poupa água e eletricidade, não pelo menor impato no ambiente mas porque isso se traduz numa poupança economica ao fim do mês. Isso é ou não sustentabilidade?

    http://polaroidjournal.wordpress.com/

  • Harlan Rodrigo

    Eu concordo integralmente com Danilo. Eu estava assistindo quando passou uma matéria na tv sobre esse caso. Achei um absurdo. Pedalar 8 horas por dia é muito. Imagina isso, sei lá, 5x numa semana? Eu me sentiria muito, mas muito mais útil, apredendo uma profissão e executando-a para reduzir minha pena do que ficar pedalando pra gerar energia elétrica.

    Não acho nem que o debate sobre isso seja sobre o que é ou não sustentabilidade, mas sim do que seja realmente medidas de integração e ressocialização dos presos. Quando eles saírem de lá vão fazer o que? Pedalar?

    Penso que não precisamos colocar a bandeira de sustentabilidade em qualquer ação não. As práticas falarão por si. Acho que quem faz isso é o marketing, que precisam mostrar que são “sustentáveis” para um determinado público e tal. Essa é a lógica deles, não precisa ser a nossa…

  • Leolima82

    Poderia colocar como obrigatório para pedalar, ter que fazer algum curso dentro do presídio voltado para sustentabilidade. 

  • Pam

    Cara, vc é um cretino por ter esse pensamento medíocre. A sociedade paga todas as despesas desses cidadãos que estão lá praticarem crimes. Além do mais, eles não têm o que fazer e, para qualquer outro tipo de ressocialização, como cursos sugeridos por você, necessita-se de mão de obra qualificada, ou seja, professores o que implicaria em maiores gastos e desperdício de profissionais, uma vez que nem as escolas públicas os têm em quantidade adequada para a educação de nossas crianças e demais pessoas que estão realmente interessadas.