O resgate das magrelas
Caos. Quem mora numa grande cidade, ou uma em expansão, percebe quais os resultados do aumento da frota de veículos motorizados em circulação. Enquanto a indústria automobilística comemora recorde de vendas mês a mês, a população perde tempo e saúde em congestionamentos – que também batem recordes. As alternativas mais comuns para combater este problema têm sido as duplicações das marginais, alargamento de ruas e avenidas, construção de pontilhões e minhocões, além dos milhões gastos com obras e mais obras.
Podemos perceber que essa postura resolve o problema duma forma imediata, mas torna-se obsoleto se pensarmos de forma inteligente – já que o número de carros não pára de crescer. Sabemos também que a fuligem liberada pelos automóveis é um dos principais responsáveis pela poluição das grandes cidades e doenças respiratórias. Mas como resolver esse problema duma forma definitiva?
A meu ver, o primeiro passo é diminuir a dependência por esses meios de transporte. Chegamos ao absurdo de ir a padaria, a banca de jornal, a farmácia localizadas a poucas quadras de nossas casas de carro! Tô mentindo?
Você tem bicicleta? É, lembra dela? Talvez esteja lá juntando pó no porão. O transporte público de bicicletas é uma tendência na Europa e aos poucos vai ganhando seu espaço mundo afora.
Funciona assim: Há os bicicletários em locais estratégicos – como campus de universidades e estações de metrô – e o usuário pode “alugar” uma delas, ir até o local almejado e devolvê-la na próxima estação. Ou até mesmo levá-las para casa e devolvê-las no dia seguinte. A taxa cobrada é simbólica. O resultado disso é a diminuição de 20% na frota de automóveis em circulação.
Agora vamos pensar no Brasil. Prefeitos ainda enxergam a bicicleta somente como objeto de lazer. Ciclovias são construídas apenas para passeio, sem a preocupação em interligar bairros e pontos estratégicos, permitindo ao ciclista usufruí-la como meio de transporte.
Ainda pensando em Brasil. Em fevereiro deste ano um ser estúpido acelerou seu carro e atropelou vários ciclistas em Porto Alegre. Por milagre ninguém se feriu com gravidade. Já não podemos dizer o mesmo do empresário e ciclista Antonio Bertolucci, de 68 anos, que morreu no dia 14 de junho após ser atropelado por um ônibus na grande e caótica São Paulo.
No artigo 201 do Código de Trânsito Brasileiro consta que “nenhum veículo automotor poderá ultrapassar ciclistas se estiver a menos de 1,5 metros de sua lateral.” É uma infração considerada média e penalizada com multa. No caso, o preço por tirar um carro de circulação e colaborar com a dinâmica da cidade e qualidade de vida das pessoas custou caro demais para o seu Antonio.
A bicicleta é considerada um dos meios de transporte mais democrático, ágil, saudável e sustentável que existe. Uma bicicleta em movimento é um carro a menos nas ruas. Pratique esta prazerosa atividade e respeite ao topar com algum ciclista. Reflita no bem que ele está fazendo para todos, inclusive a você. Cidadania e respeito estão aí para serem praticados diariamente.


10. ago, 2011 






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