O que mais vem dentro da embalagem?
Esse é mais um post de um colaborador, o Igor Lopes, que descreve, de forma descontraída, sua angústia em relação ao nosso consumo e sobre a reciclagem das latinhas de alumínio. Acompanhem:

Reciclagem de latas
Já faz um tempo que não consigo mais olhar para uma latinha de refrigerante vazia como se fosse lixo. O que vejo são tentadoras 15 gramas de alumínio dizendo: “não sou mais de ninguém, me pegue… me pegue!”.
O preço do alumínio para reciclagem é aproximadamente R$ 3.500,00 a tonelada , R$ 3,50 o Kg, ou algo em torno de R$ 0,05 por uma lata.
Considero-me proprietário da lata quando compro um refrigerante, pois o preço pago pelo consumidor inclui tudo o que foi gasto em todo o processo produtivo até chegar a prateleira do mercado. Tudo! Afinal, a lata não brotou ali, ao alcance das mãos. O alumínio precisou ser extraído de um minério, a bauxita. A bauxita vem da terra, ou seja, alguém precisou cavar um grande buraco no planeta pra extrair isso. E o alumínio é extraído da bauxita utilizando-se energia elétrica. Muita energia. Mas muita mesmo!
Aí obtêm-se o alumínio metálico, lindo e brilhante como o conhecemos, na forma de blocos grandes e pesados. Esses blocos precisam ser laminados, para se transformarem em chapas. Essas chapas serão transportadas para outras unidades industriais, onde serão novamente cortadas e amassadas em várias etapas, até chegarem à forma final. Mais energia para amassar o alumínio!
Uma fábrica de latinhas precisa dobrar e conformar milhares de chapas de alumínio por dia para produzir suas latas. Sim, cada uma dessas fábricas produz milhares de latas todos os dias. Enquanto nós consumimos uma e jogamos num canto qualquer da rua, outras milhares estão saindo da linha de produção e caindo no mercado, com o mesmo destino.
E quanto mais latas são consumidas, mais precisam ser fabricadas. O ato de abrir a lata, consumir a bebida em alguns minutos, e jogar a lata vazia fora, arrasta atrás de si toda uma cadeia produtiva, que vem desde o trator que consome óleo diesel para cavar a mina de bauxita, até a gasolina do caminhão que trouxe as latas da fábrica de refrigerantes até a prateleira do mercado.
Tudo isso é feito para que tenhamos o conforto de ter aquela bebida de forma simples e prática à nossa disposição. Pensando em todo o caminho percorrido pelo produto desde a mina de bauxita até suas mãos, até parece pouco o preço que pagamos pela embalagem no valor total do produto.
As latas de alumínio são o exemplo mais fácil para se enxergar o valor econômico agregado às embalagens. Infelizmente, nem todas as embalagens descartáveis tem o mesmo valor do alumínio em termos de reciclagem, mas todas, com certeza, trazem agregadas todo um sistema consumidor de matéria prima, energia e muito trabalho empregado para fabricá-las, o que não é tarefa fácil.
Jogando na balança os prós e contras das embalagens, descartáveis ou não, é difícil dizer se realmente são vilãs em nossas vidas. O que existe de fato são a utilização e o consumo desenfreados, e a parcela de culpa do consumidor é relativa, pois estamos cercados por todos os lados. Tecnologia existe, tanto para reciclar quanto para torná-las menos impactantes, e a Política Nacional de Resíduos Sólidos traz um ponto fundamental para o estado em que chegou a nossa dependência de embalagens: a logística reversa!
Por tudo isso, quando vejo uma embalagem vazia já descartada, não vejo lixo. Vejo um produto de vida relativamente curta, algo que deve ser pensado não só por quem consome, mas principalmente por quem fabrica. Essas embalagens descartadas já não me parecem mais tão vazias. Ainda são cheias de um valor que às vezes é apenas difícil perceber.
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18. jul, 2010 






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