O Meio Ambiente e a utopia nossa de cada dia…

por Adriano dos Santos*

O debate ambiental vem há muito tempo se tornando cada vez mais presente, porém as questões são pontuais e apresentam um enorme antagonismo entre os pontos de vista. Isso é observado no Aquecimento Global, onde um dos lados é extremamente catastrófico e outro, que não acredita na interferência humana na mudança climática.

Hoje o que domina o debate é alteração do Código Florestal e a construção da Usina de Belo Monte e, apesar dos diversos protestos, ambas vão sair do papel. A alteração do Código não devia ser feita dessa forma, polarizando o debate e atendendo apenas a um dos lados. Já Belo Monte, tem mais contras do que prós, sendo um dos grandes problemas a quantidade de operários, aproximadamente 18700 segundo o RIMA – Relatório de Impacto Ambiental, que vão vir de outras regiões e que após o término das obras possivelmente continuarão na região e podem criar pressão sobre reservas indígenas.  Além, é claro, da falta de saneamento e pressão sobre os equipamentos públicos da região. Lembrando que todos esses impactos estão presentes no RIMA.

Esses debates refletem a dificuldade de se implantar na prática o conceito de desenvolvimento sustentável. Não estou falando de demagogia e de campanhas que prometem salvar o planeta, falo de ações efetivas que tragam melhorias concretas ao meio ambiente. Ações essas que estão interligadas entre si e que dependem quase sempre de união das partes interessadas. O que adianta separar o lixo em casa se no caminhão de lixo é tudo misturado?

Um ponto recorrente nos debates é a apresentação de alternativas de difícil execução para a solução de problemas ambientais. Como as apresentadas no vídeo Gota d’água, a energia solar e a eólica, sendo que são medidas complementares e que não conseguem atender a demanda total de energia, além também de terem impactos ambientais negativos.

Outra utopia apresentada é a despoluição do Rio Tietê. Não que seja impossível, porém a região Metropolitana de São Paulo tem quase 20 milhões de pessoas e grande parte do esgoto da região é direcionada ao rio. Enquanto não houver o tratamento desse esgoto não haverá possibilidade de recuperação do mesmo, visto que no interior de São Paulo, onde o lançamento de esgoto diminui, o rio se recupera sozinho.

Outro assunto muito discutido é o consumo de carne e sua relação com o aquecimento global. É uma causa nobre, mas não vejo como isso pode solucionar o problema e, o mais importante de tudo, como mudar o hábito alimentar de uma grande parte da população mundial e como garantir proteínas a uma população de baixa renda que tem acesso somente através da carne.

Conciliar o nosso modo de vida com a preservação do meio ambiente é extremamente difícil e qualquer alternativa simplista carece de validade.  Para que ideias se tornem soluções efetivas é preciso juntar os mais diversos setores e contar com a capacidade de cada um dos lados em mobilizar-se e estar abertos à discussão, se mostrando verdadeiros na busca por soluções que sintetizem os anseios de cada parte e que fique o mais próximo de uma ação.

*Adriano, 25 anos, é Analista Ambiental e estudante de Engenharia Ambiental, de Arujá- SP.
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