O Estado da Crise Climática Mundial: efeitos compartilhados, mas bem diferenciados
A organização internacional DARA, que trabalha nos campos de ajuda humanitária e efeitos das mudanças climáticas e desastres naturais, através da avaliação e posterior e compartilhamento das “soluções” de tais impactos, lançou ano passado o relatório “Climate Vulnerability Monitor 2010“, que avalia a vulnerabilidade do planeta em diversos aspectos no que se refere aos efeitos das mudanças climáticas.
O relatório aborda aspectos de 184 países, atualmente e no ano de 2030, combinando uma série de medidas, que são divididas em quatro áreas de impacto: saúde humana, climas extremos, perda de habitat por desertificação e aumento do nível do mar e perdas econômicas na agricultura e outros setores diretamente ligados ao uso dos recursos naturais. Ele ainda traz a relação das mudanças no clima com o desenvolvimento humano, em especial o efeito sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) da ONU.

Mapa da Vulnerabilidade Global do Impacto do Clima na Saúde Humana
O relatório afirma que todos partilharão os efeitos das mudanças no clima, mas aqueles mais pobres irão sofrer mais. Segundo o mesmo, 99% de toda a mortalidade relacionado ao clima acontece em países não desenvolvidos que, ironicamente, contribuem com menos de 1% das emissões globais dos Gases do Efeito Estufa (GEE). Além disso, uma proporção muito grande dos casos mais graves desses quatro aspectos são compartilhados por apenas 5 a 10 países. Só na Índia, por exemplo, acontecem cerca de 1/3 de todas as mortes relacionadas ao clima, e junto com a China, o país conta com 3/4 de toda população mundial em risco por causa da desertificação.
Há ainda o rápido crescimento dos impactos para os próximos 20 anos. Segundo o relatório, mais países irão sofrer com climas extremos e desastres naturais em 2030. Se medidas não forem tomadas, o número de mortes relacionadas ao clima, hoje em 350 mil/ano, pode chegar a quase 1 milhão/ano. As perdas financeiras tenderão também a intensificar-se, triplicando os hoje 100 bilhões de dólares/ano.
Diferente de muitos estudos do tipo, que preocupam-se apenas em trazer os problemas e causas, o relatório traz algumas questões cruciais que precisarão ser tomadas para reduzir esses impactos, como a resposta integrada de ações e o foco específico nos impactos. Ele apresenta a análise de ações e projetos em adaptação, inclusive muitos já existentes que precisam ser revisados e melhor utilizados com os focos acima, em integração e impactos.
Assim, cabe aos líderes mundiais utilizar desses estudos a favor da luta contra as mudanças do clima. Muitas são as saídas e ações que podem (e devem) ser utilizadas. O próprio gasto financeiro já seria um motivo o suficiente para melhorar o gerenciamento e melhor integrar as práticas e projetos ao redor do mundo. A atuação conjunta de organizações e demais setores é urgente e precisa ser revisada. Além disso, os países mais pobres, principalmente aqueles identificados no relatório como os que mais terão impactos – e não podemos esquecer aqui dos países do pacífico, diretamente afetados pelo aumento do nível do mar – precisarão de assistência com foco nas soluções.
Para maiores informações, acesse o resumo executivo do relatório, disponível em inglês e espanhol.


30. jul, 2011 






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