"O Brasil é a 'menina no baile' que todos querem dançar", Feldman
Olá, pessoal…
Lembram da entrevista que postei aqui do Fabio Feldmann? Pois então, li um post bem legal dele no blog que ele é colunista, o Terra Magazine.
Ele destaca a posição do nosso país na luta das mudanças climáticas, além de outros considerados potências ambientais, como Rússia, China, México e Índia. Também a possibilidade do Brasil assumir uma posição de liderança na reunião de Copenhague, em dezembro e a discussão de que o país tem potencial para ser exemplo mundial em sustentabilidade e liderança, por vários aspectos, mas que por falta de liderança, não aproveita. Nesse sentido, ele acaba o texto discutindo a possibilidade de uma nova liderança presidencial no próximo ano vir a abarcar, mais seriamente, as questões ambientais, liderança com visão de futuro.
Não quero fazer desse espaço, pelo menos agora, palco de discussão política, mas torço por essa possibilidade da candidatura de Marina Silva, que terá todo apoio que possa dar. E, falando nisso, ela estará aqui, em Salvador, amanhã, às 9h, na Faculdade de Medicina, recebendo o título de Doutora Honoris Causa da UFBA. Queria ir… talvez pegar uma foto, consegui a resposta de alguma pergunta… quem sabe! rsrs
De qualquer forma, acompanhem o post…
Alguns anos atrás, o World Watch Institute – que publica anualmente seu State of The World – propôs a formação de um grupo que congregaria as potências ambientais, tais como Brasil, China, Rússia, Índia, México, enfim, países portadores de biodiversidade, água doce, florestas, ativos ambientais. No campo da biodiversidade, alguns anos atrás se criou o conceito de países megabiodiversos, iniciativa liderada pelo México por ocasião da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, em 2002.
O propósito da visita do Ministro inglês, Ed Miliband, foi o de sentir como a sociedade brasileira encara a reunião de Copenhague, que acontecerá em dezembro deste ano. Mais do que isso, procurar na postura dos negociadores brasileiros um sinal de esperança de que o Brasil possa vir a protagonizar uma liderança no resultado daquela reunião, reforçando a ideia de que os grandes emissores “não industrializados” assumirão parte da responsabilidade de redução dos gases efeito estufa nos próximos anos.
Como já escrevi anteriormente, o Brasil é a “menina no baile” que todos querem dançar. Temos sido cortejados em busca dessa liderança há muitos anos. O risco é acabar o baile e a menina ficar sem dançar.
A China está sinalizando na direção de aceitar a incorporação da dimensão climática na sua economia, o que é fundamental já que é o país campeão das emissões, cujo crescimento da economia representa um importante elemento no consumo de recursos naturais do planeta. Nem tudo do que os chineses dizem corresponde à realidade do país em termos ambientais, mas certamente há uma consciência da necessidade de grandes mudanças no país, quer para enfrentar a poluição de suas grandes cidades, quer para inverter o grave quadro de poluição de seus rios.
A presença de Achim Steiner no Brasil trouxe uma agenda crucial: a economia verde (green economy). O PNUMA através da liderança de seu diretor executivo tem clareza de que não é mais possível tratar as questões ambientais dissociadas das outras macro-questões. É impossível enfrentar o aquecimento global apenas pela fixação de normas legais, mas torna-se necessário se demonstrar que energia renovável representa mais oportunidades de emprego e renda para a população mundial do que a indústria de óleo e gás. Repensar nossa sociedade requer uma visão do que se quer no futuro, com capacidade de inovar e compreender o século XXI, com as oportunidades que o mesmo traz.
Enfatizou-se mais uma vez a necessidade de colocarmos para a sociedade brasileira uma agenda de oportunidades em termos de uso dos nossos ativos ambientais, com grande repercussão na comunidade internacional pelo fato de que poderíamos nos transformar numa grande referência de sustentabilidade. Volf Steinbaum, da Secretaria do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, comentou que o Brasil tem uma comunidade científica sólida, uma sociedade civil bem organizada, mídia sensível aos grandes temas, mas que não existe liderança suficiente para que o país aproveite essa crise mundial.
O próximo presidente terá que conduzir a transição do país para a sustentabilidade, redirecionando os investimentos públicos, em programas de médio e longo prazo promovendo alianças políticas com os setores da sociedade comprometidos com o século XXI.
Do ponto de vista eleitoral, temos nomes que poderão liderar essa discussão nas próximas eleições. Marina Silva, Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis, Eduardo Jorge são lideranças com capacidade de enfrentar campanhas eleitorais majoritárias, por possuírem conteúdo, experiência parlamentar, além de partilharem uma visão de mundo que toca o coração dos brasileiros. A possível vinda de Marina Silva para o Partido Verde trará um novo momento para os verdes brasileiros, fazendo com que esse partido político encontre uma nova sintonia com o eleitorado e a sociedade brasileira.
E se Marina vier a ser candidata quem sabe o Brasil tenha na sua presidência uma mulher cuja vida é a receita do compromisso com o século XXI.
Por que não sonhar?
Confira a entrevista completa aqui


09. ago, 2009 






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