Mudanças Climáticas: um risco para tesouros arqueológicos
As mudanças climáticas, como todos sabem, interferem em nosso futuro, mas uma matéria publicada no último dia 7, na Folha.com, mostra que a desertificação, os furacões, o degelo e o excesso de chuvas colocam em perigo diversos tesouros arqueológicos.
Segundo Henri-Paul Francfort, chefe de uma missão francesa que estuda civilizações, o degelo ameaça tumbas da época dos Escitas, na Ásia Central. “O permafrost, camada de terra constantemente gelada que os conservou até agora, derrete e ameaça decompor os corpos mumificados, tatuados, enterrados com cavalos sacrificados, peles, objetos de madeira, vestuário”, explicou o especialista.
Um acontecimento que perturba os cientistas é o aumento do nível dos mares. De acordo com dados, o nível da água subirá 1m até 2100, ameaçando regiões costeiras inteiras. “A elevação das águas em certas ilhas do Pacífico provocará inevitavelmente a destruição dessas zonas costeiras. Na Tanzânia, a erosão marítima destruiu um muro do forte de Kilma, construído pelos portugueses em 1505″, relatou Francfort.
A cidade de Panam-Sonargaon, em Bangladesh, que foi o centro do reino de Bengala do século XV ao XIX e um dos cem locais ameaçados pela Unesco, por muitas vezes é inundada pelas cheias.
Outra preocupação dos estudiosos é a multiplicação de fenômenos climáticos extremos, “especialmente os ciclones com cargas de água excepcionais que caem em tempo recorde”, como explica Dominique Michelet, especialista francês em arqueologia da América.
Michelet citou dois casos: Chan Chan, antigo reino chimú, e a maior cidade da América pré-colombiana (Peru), castigada pelas inundações provocadas pelo El Niño, e templo maia de Tabasqueno (México), destruído pelos furacões Opalo e Rozana em 1995.
“No sultanato de Omã, os ciclones Gonu, em 2007, e Phet, no verão passado (do hemisfério norte), enterraram na areia locais de 5.000 a 6.000 anos antes de nossa era”, conta Vincent Charpentier, especialista em zonas costeiras do Instituto Francês de Pesquisas Arqueológicas Preventivas (INRAP).
Mas com tantos desastres, nem tudo está perdido. Com o aumento da temperatura cientistas puderam descobrir o Oetzi, o “homem do gelo”, encontrado em 1991, em uma geleira derretendo nos Alpes.


15. dez, 2010 






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