Mais um ataque dos Ruralistas. O alvo? As Unidades de Conservação

Nem mesmo a poeira da batalha da reformulação do Código Florestal assentou na Câmara dos Deputados, e a bancada ruralista já faz um novo ataque à legislação ambiental.
No final do mês de maio, a Câmara aprovou o texto com a reformulação do Código Florestal, de autoria do Dep. Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Para quem teve oportunidade de assistir a sessão, deve ter ficado impressionado com os discursos sem nenhum embasamento técnico ou científico daqueles que defendiam a aprovação do texto. E também deve ter ficado enojado com a tentativa dos deputados ruralistas de transformarem os ambientalistas nos vilões da história.
O objetivo dos ruralistas agora é mudar a forma como as Unidades de Conservação (UC) são criadas, que atualmente acontece por meio de decreto presidencial. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Dep. Moreira Mendes (PPS-RO), anunciou na semana passada uma grande campanha para impedir que novas UCs sejam criadas sem aprovação do Congresso.
Atualmente, o Brasil tem 310 Unidades de Conservação federais, em torno de 758 mil km² de áreas de conservação, e acumula uma conta de R$ 20 bilhões em indenizações. A conta é um dos argumentos usados para propor a mudança na forma de criação das UCs.
Contudo, o principal argumento é o mesmo utilizado para justificar a aprovação o Código Florestal: a necessidade de mais terras para produção. O Dep. Moreira Mendes disse durante audiência realizada para discutir o assunto que: “daqui a pouco, do jeito que está, não sobra nada para a produção”. O Dep.Valdir Colatto (PMDB-SC) vai mais longe, e diz que “daqui a pouco, o Brasil vira um parque”.
Realmente não sei de onde os excelentíssimos deputados retiram esse argumento, imagino que a bancada ruralista deva ter uma “escolinha” para ensinar os seus deputados a delirar, e falar coisas desse tipo. Ou, deve usar de argumentos mais “palpáveis”, e com valores numéricos, para fazer com que cada deputado defenda seu peixe.
Bráulio Dias, Secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, que estava presente na audiência, afirmou que esse tipo de argumento é “balela”, e que a conservação é importante para garantir a sustentabilidade da atividade econômica.
A próxima audiência acontecerá esta semana, com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. E a bancada ruralista deve atacar fortemente a ministra e as Unidades de Conservação.
O Governo não pode deixar para última hora o enfrentamento com a bancada ruralista, como fez com a votação do Código Florestal. Se cometer novamente este erro, e deixar que o sistema de criação das Unidades de Conservação seja modificado, aí sim, teremos a destruição total do que um dia foi a legislação ambiental brasileira.


15. ago, 2011 






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