Energia Nuclear: um ano após Fukushima, mundo relembra tragédia
Não podemos dizer que no dia 11 de março se comemora um ano da tragédia de Fukushima. Esse tipo de acontecimento não faz aniversário ou é celebrado, por outro lado, também não pode passar despercebido. Para que o perigo do uso da energia nuclear não seja esquecido, acontece, em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, o Dia de Ação Global ´Fukushima 2012`.
Segundo Heitor Scalambrini Costa, professor da Universidade Federal de Pernambuco, em seu artigo “Pesadelo nuclear de Fukushima não acabou”, a tragédia do Japão coloca em evidência questões ainda não abordadas pelos responsáveis nucleares.
“A primeira delas é o alto fator de insegurança na operação de usinas nucleares e os riscos de desastres relacionados a vazamentos de material radioativo, quase que invariavelmente de consequências dramáticas, espalhando radioatividade no ar, na terra e na água. A segurança dos reatores nucleares já foi seriamente abalada com os desastres de Three Mile Island (nos Estados Unidos), Chernobyl (na ex-União Soviética) e agora de Fukushima (no Japão). Com outras tecnologias para produzir eletricidade também podem ocorrer acidentes (como incêndios ou ruptura de barragens em reservatórios de usinas hidroelétricas), mas os acidentes nucleares, devido à liberação de radiação, são infinitamente mais perigosos à vida humana/animal e a natureza… Outra questão de caráter econômico é o fato da eletricidade nuclear ser mais cara que outras formas de produzir eletricidade. A geração nucleoelétrica é uma tecnologia complexa e cara, e que fica ainda mais cara e deixa de ser competitiva em relação a outras fontes de energia devido aos gastos para melhorar o desempenho e a segurança das usinas. De modo geral, somente empresas estatais constroem reatores nucleares, ou empresas privadas com fortes subsídios governamentais. E aí esta o “nó” para esta indústria que depende enormemente de altos investimentos vindo dos cofres públicos.”
A infeliz tragédia nipônica nos mostra o quão fracos nós somos diante dessas “forças” nucleares. Não adianta investir em tecnologia e gastar “rios” de dinheiro na prevenção de algo tão grandioso e instável que não se há, hoje, formas de prevenir. O material nuclear é mais poderoso do que se possa parecer e requer inúmeros cuidados. Logo, se a energia nuclear não é tão vantajosa assim, por que muitos países, inclusive o Brasil, contam com usinas nucleares? Quais interesses pessoais estão em volta disso?
O programa de descontaminação em Fukushima, iniciado a pouco tempo, prevê reabilitar uma área de 20.000 km² da região que foi mais exposta ao acidente e, assim, possibilitar que milhares de famílias voltem as suas casas. Estima-se que o acidente tenha realocado mais de 100 mil pessoas de suas residências. Porém, o prazo para que todo o combustível seja retirado e a área descontaminada é de mais de 40 anos, ou seja, as consequências desta tragédia ainda serão sentidas até 2052.
Apesar dos dados acima, há diversas outras questões e impactos de um acidente nuclear que não podem ser mensuráveis. Não há dinheiro que pague vidas perdidas, casas e cidades destruídas. No Brasil, há duas usinas nucleares e a terceira já está em fase de implementação.
O início das pesquisas nucleares brasileiras ocorreu na década de 50, com a criação o Conselho Nacional de Pesquisa, que trouxe da Alemanha duas ultra-centrifugadoras para o enriquecimento do urânio. Os trabalhos avançaram durante todo o governo militar, que não tinha a intenção de substituir as usinas hidrelétricas pela energia nuclear, mas sim desejava desenvolver tanto submarinos nucleares como também armas atômicas.
Assinamos o Manifesto da Articulação Antinuclear Brasileira, contra o Programa Nuclear Brasileiro e a novas construções de usinas nucleares no país. Diversos países, como a Alemanha e França, estão repensando seus modelos energéticos com base na energia nuclear. Por que o nosso país no presta atenção e percebe que nuclear é burrice?

Haverão ações em mais de 100 cidades de 17 países. No Brasil, haverão atos em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Manaus, Belo Horizonte, Brasília, Angra dos Reis, Recife e João Pessoa. Clique aqui para mais informações sobre horário e local do ato em sua cidade, e participe! Faremos todos uma corrente humana contra a energia nuclear!


07. mar, 2012 






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