E a COP-16 traz (boas) surpresas…

Bem, pelo visto os resultados da COP-16, que terminou ontem, foram um pouco melhores do que esperávamos… Na verdade, os líderes mundiais aceitaram discutir sobre um possível acordo climático relacionado ao atual Protocolo de Kyoto que, por enquanto, irá expirar no fim de 2012, a ser acordado na COP-17, em Durban, África do Sul (estarei lá!). A ideia é que este novo acordo climático obrigue os países a cortarem suas emissões de gases do efeito estufa e assim possam combater os efeitos das mudanças climáticas.
De acordo com, Gordon Shepherd, líder do WWF’s Global Climate Initiative, os países reconheceram que eles precisam reduzir suas emissões de 25 a 40% em 2020 e que isso é só o começo, pois muito mais será preciso para alcançar o objetivo de limitar o aumento da temperatura em 2ºC. Os governos criaram um “fundo verde” que até 2020 deverá liberar US$ 100 bilhões por ano com o objetivo de apoiar os países em desenvolvimento. Porém, não foram especificados de onde virão os recursos para o tal fundo. Para Shepherd, é preciso encontrar criativas fontes de financiamento, como a taxação dos hoje desregulados setores naval e de aviação, que juntos podem chegar a 8% das emissões globais, por tal motivo, renderiam bilhões de dólares em financiamento a longo prazo para este fundo. Segundo jornal O Estadão, “O conselho administrativo deverá ser composto por 40 representantes: 25 de países em desenvolvimento e apenas 15 dos países ricos.”
Outras medidas decididas foram: estabelecer ações concretas para proteger as florestas, fortalecer cooperação internacional de tecnologia e ajudar populações vulneráveis a se adaptarem às mudanças do clima e suas consequências, como migração climática. Junto com a discussão e maior definição sobre o REDD vieram algumas críticas sobre seu funcionamento, como a defesa de direitos indígenas e da biodiversidade, assuntos não inclusos diretamente no mecanismo.
Não podemos deixar de lembrar da ativa participação brasileira que, junto com os britânicos, tiveram um importante papel na mediação das negociações referentes a última fase do Protocolo de Kyoto e da participação de países como Japão, Rússia e Canadá. Outro movito para comemorarmos: durante o evento a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou que nosso país terá compromissos de redução das emissões para 2020, que devem diminuir em 6% aos níveis de 2005. Isso significa que dos atuais 1,8 bilhão de toneladas dos gases do efeito estufa que emitimos no último ano, teremos como teto 2 bilhões em 2020 – isso já considerando o crescimento econômico e todo o resto. E para essa redução haverá diferentes metas, para diferentes setores, como desmatamento nos biomas, indústrias, agricultura, etc. Com a Lei de Mudanças Climáticas, o “Brasil passa a se tornar o primeiro país emergente a ter metas formais de redução a longo prazo, com números, prazos e metas”, afirma André Trigueiro, jornalista ambiental e comentarista da CBN. Trigueiro comemora o sucesso do encontro: “o clima foi de vitória, pois impediu-se um fracasso retundante e o encontro possibilitou a criação de uma base para discussão para as negociações daqui para frente – algo que a COP-15 não tinha conseguido determinar.“
Para Ban Ki-moon, Secretário Geral da ONU, “os resultados de Cancun nos deram importantes ferramentas. Agora precisamos usá-las, além de fortalecer nossos esforços juntamente com o imperativo científico por ação.”
Bem, agora é continuar o trabalho para que no próximo encontro esse tão sonhado acordo climático se torne real…


12. dez, 2010 






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