Dica de leitura: A Teia da Vida

Gosto de livros que me inspirem. Que intriguem e transportem meus pensamentos ao infinito. Que desafiem, provoquem e virem meus conceitos sobre o mundo de cabeça pra baixo. “A Teia da Vida”, livro do físico e escritor austríaco Fritjof Capra, pode perfeitamente habitar esta seleta categoria. Você provavelmente já deve ter ouvido falar deste livro. Assuntos sobre ele são abordados nas universidades, em palestras e inspiram diversas teorias mundo afora.

O livro trata das questões ecológicas e da nossa maneira de enxergar o mundo, forçando a mudança da uma visão cartesiana para a sistêmica. Ele narra desde o tempo em que a terra era uma bola que soltava fogo pelas ventas, passando por todo o processo que a fez resfriar e, por isso, dar lugar a proliferação da vida. Sua teoria de que a Terra, Gaia, é auto-poiética (do grego auto “próprio”, e poiesis “criação”) – ou seja, é um sistema autônomo que está constantemente se autoproduzindo e autorregulando -, comprova através desta característica que, do aparente caos, há o equilíbrio da vida. Logo, afirma que Gaia é um organismo vivo.

A evolução da vida, de simples bactérias que usavam hidrogênio como elemento essencial a vida, até a sua evolução em captar o oxigênio do ar, passando pelo que é considerado um dos maiores saltos evolutivos da história do planeta e aquilo o que faz ser possível a vida na Terra como a conhecemos hoje: a fotossíntese do oxigênio. A percepção de que o que nos levou a evoluir como único ser pensante da Terra foi a capacidade de abstrair (adorei isso!) e que o sexo é uma evolução, e não um instinto fadado ao desuso,  fazem parte das teorias interessantíssimas que o livro traz a tona.

A Teia da Vida: uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos - Fritjof Capra - RS 35,00 em média

As dinâmicas de relacionamento entre tudo e todos, de que a vida na Terra é uma constante simbiose,onde há  muito mais uma colaboração entre os organismos do que uma guerra sangrenta, onde o mais forte sobrevive. Peço sua reflexão para este trecho:

“O reconhecimento da simbiose como uma força evolutiva importante tem profundas implicações filosóficas. Todos os organismos maiores, inclusive nós mesmos, são testemunhas vivas do fato de que práticas destrutivas não funcionam a longo prazo. No fim, os agressores sempre destroem a si mesmos, abrindo caminho para outros que sabem como cooperar e como progredir. A vida é muito menos uma luta competitiva pela sobrevivência do que um triunfo da cooperação e da criatividade. Na verdade, desde a criação das primeiras células nucleadas, a evolução procedeu por meio de arranjos de cooperação e de co-evolução cada vez mais intrincados.”

Este livro pode e deve ser apreciado não somente por quem tem interesse nas intricadas relações do meio ambiente. Ele insere e possibilita também percepções filosóficas, científicas e psicológicas sobre nós mesmos.

Não posso deixar de dizer, porém, que o miolo do livro é, a mim, extremamente técnico e enfadonho. Mas isso não tem a menor importância. Aprendi a pular coisas que , neste momento, são desnecessárias, e absorver apenas aquilo o que de fato me interessa e inspira. Fica a dica!

Related Posts with Thumbnails
Twitter Digg Delicious Stumbleupon Technorati Facebook