Desenvolvimento Sustentável: Os Resíduos da Construção civil
Olá, pessoal. Esse é um post escrito pelo @vitorhs, que é eng. ambiental.
Ficou um pouquinho grande, mas tá bem legal. Um assunto que ainda não tínhamos discutido aqui no blog.
Quero que digam o que acham, ok?
Há algumas décadas, o termo desenvolvimento sustentável vem ganhando destaque no cenário mundial, buscando o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental.
A sociedade tem papel fundamental para o funcionamento desse desenvolvimento sustentável, pois somente com a conscientização e colaboração da população é que haverá a redução no consumo energético, no uso de recursos naturais, na geração de resíduos, na emissão de gases poluentes, entre outras questões críticas.
A construção civil é uma das principais atividades para o desenvolvimento econômico de uma nação, e no Brasil se encontra em plena ascensão, e gera importantes impactos ambientais, tanto pela utilização dos recursos naturais quanto pela modificação da paisagem e pela geração dos grandes volumes de resíduos.
O Brasil possui uma forte e ampla legislação sobre os Resíduos da Construção Civil – RCC, leis, políticas públicas, normas técnicas com um ótimo conteúdo teórico, porém, sem muita adesão e sucesso na prática.
Em 5 de julho de 2002, a resolução nº 307 foi aprovada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, que estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para uma correta gestão desses resíduos e também cria responsabilidades para os geradores, os transportadores, os receptores e para os municípios.
Segundo a resolução 307, os RCC são definidos como sendo os resíduos provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras, e os resultantes da preparação e escavação de terrenos.

Fonte: ABLP – Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública
A maioria dos municípios brasileiros não está adequada para gerenciar os RCC, assim, o enorme volume dos RCC e a falta de estrutura dos municípios para destinarem corretamente esses resíduos, são as principais causas da geração de impactos, pois na falta de locais adequados para a deposição desses resíduos, geradores e coletores acabam por fazer a deposição em terrenos baldios, margens de corpos d’água e outros locais de fácil acesso.
Entre os principais impactos gerados estão o bloqueio parcial ou total do trânsito de veículos e pedestres, poluição de corpos d’água, contaminação dos solos, poluição visual, obstrução do sistema de drenagem urbana, que potencializa a ocorrência de enchentes; proliferação de vetores causadores de doenças como a dengue, a atração de outros tipos de resíduos, entre outros impactos.
A reciclagem de RCC é praticada há séculos, onde as bases de edificações demolidas serviam de base para a construção de novas edificações. Nas cidades européias, no período posterior à Segunda Guerra Mundial, o uso de reciclados de RCC ocorreu de forma considerável, visto que a necessidade por materiais de construção era maior que os estoques existentes, e esse processo foi estendido a países com deficiência na oferta de materiais granulares.
Na Europa, Estados Unidos e Japão, a reciclagem de RCC já se consolidou e possui normas e políticas específicas para esses tipos de resíduos. No Brasil é uma atividade recente e já chama a atenção dos gestores urbanos pela possibilidade de solução para a destinação desses resíduos e pela possibilidade de obtenção de materiais de baixo custo.
A reciclagem desses materiais mostra-se viável, solucionando o problema de disposições irregulares e preservando os recursos naturais. Com o material produzido no processo de reciclagem, há relatos de uso em base para a pavimentação, fabricação de blocos de concreto, correções de estradas rurais, entre outros usos.
Não é preciso ser um estudioso para perceber o quão problemática é a disposição incorreta dos RCC, e visto que a construção civil é um dos maiores responsáveis pelo desenvolvimento urbano, não é aceitável que em tempos, onde o desenvolvimento sustentável é o centro de freqüentes discussões, esses resíduos ainda sejam descartados sem qualquer cuidado e gerenciamento.


15. ago, 2009 






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