De onde você bebe água: torneira ou garrafa?

Eu estou, mais uma vez, participando da competição internacional de blogueiros, Think About It, cujo tema desta 5ª edição é Água. Esse texto é uma versão do que foi originalmente postado lá: The Usual Question: Faucet or Bottled Water?
África do Sul: água potável como deve ser

Você já parou para pensar sobre o mercado de água, mais precisamente sobre a água engarrafada?

Como sabemos, o Brasil é um país rico em recursos hídricos – e naturais, de um modo geral. Porém, toda essa riqueza não significa a igualitária distribuição desses recursos. Prova disso são os eventos de seca que há tempos presenciamos, sem contar os alagamentos dos últimos anos. Inclusive, a própria Amazônia, que até em então era tida como pulmão do mundo, está sendo atingida pela seca.

Durante minha vida foram poucas as vezes em que eu bebi água da torneira – certamente foi por falta de opção (ou vergonha de dizer não). Na verdade, foi necessário ir a outro país para enfim beber dessa água sem preocupação. A África do Sul, país conhecido pela luta contra a desigualdade racial, também começa a ser conhecido pela melhoria em seus sistema sanitário e investimento em tecnologias eficientes – é claro que não podemos generalizar, a maioria dessas melhorias acontecem nos grandes centros urbanos e turísticos. Mas o que quero dizer é que: em minha cidade, Salvador, a terceira maior do país, as pessoas simplismente não confiam em beber a água da torneira, preferindo comprar as garrafinhas que, aparentemente, são mais limpas. É claro que o clima e a comodidade das garrafinhas, vendidas em qualquer esquina, ajudam.

Por outro lado, a água engarrafada é, em sua essência, insustentável. Seu impacto no planeta é muito mais negativo do que a água tratada da rede de pública de distribuição. No Brasil, é um mercado de 7 bilhões de litros ao ano, com um crescimento anual de 10%. De acordo com o estudo Energy Implications of Bottled Water, somente nos EUA, em 2007, foram consumidos 33 bilhões de litros de água engarrafada. Se contarmos o impacto da produção, distribuição e armazenamento, estaremos falando de algo em torno de 35 a 54 milhões de barris de petróleo gastos. O relatório conclui ainda que a pegada energética da água engarrafada é duas mil vezes mais que a água que sai de nossas torneiras (não da minha).

E aí o que fazer? Qual escolher?

Onde há tratamento de água, esta é, sem dúvida, a melhor escolha, e isso por diversas razões: a sua qualidade é acompanhada pelos orgãos ambientais; ela é muito mais barata (chega às nossas casas por menos de R$ 0,002/L) e claro gera menor impacto no planeta, afinal não serão necessárias toneladas de PET para seu armazenamento.  Dizem até que por causa do cloro flúor presente na água ela pode previnir o aparecimento de cáries! Por outro lado, onde não é possível beber água da torneira, lembra a Annie Leonard, no vídeo Story of the Bottled Water, é necessário pressionar os orgãos públicos para mais investimentos no tratamento da água, além de garantir a igualitária distribuição desse valoroso recursos para todos os cidadãos.

De qualquer forma, nos deixe saber: de onde você bebe água? A água da torneira em sua cidade é de boa qualidade?

Informações originais de: Portal EcoDebate
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  • http://pulse.yahoo.com/_C65QHSTQUXEBAFIQZVCDXI4K4I Marcelo

    Não há dúvidas que a água “torneiral” é melhor que a mineral, pelo menos em relação ao seu custo ambiental. Além disso, há no mercado de água engarrafada opções com valores absurdos de pH e outras potencialmente geradoras de problemas renais a médio/longo prazo.
    Contudo, o problema da água tratada não é qualidade do produto, mas a incerteza de sua rede de distribuição. Eu, particularmente, cedo a ignorância da água engarrafada simplesmente pelo receio e experiências nada agradáveis com o fato da rede distribuidora (encanamentos) ser bastante questionável.
    No mais, me resta optar por embalagens de maior volume ao invés de milhares de pequenas garrafinhas (existem garrafas de 200ml(!!!!) e gente que compra 5 ou 6 delas de uma vez)

  • Wallyson Gasparr

    ola amigo, adorei o texto, apenas uma correção o Cloro adicionado na água tratada não previne o aparecimento de cáries, ele é responsável por eliminar possiveis bactérias nas tubulaçoes e previnir o enferrujamento das mesmas.
    O que previne as cáries é o fúor tambem adicionado no tratamento d’agua, mas, ele só é adicionado devido a uma portaria do ministerio da saúde com a intenção de previnir as caries nas crianças ate 10 anos de idade pois geralmente elas não escovam direito.
    abraços

    • http://twitter.com/essetalmeioamb_ Esse tal M. Ambiente

      Olá Wallyson, verdade era o flúor que queria dizer…. muito obrigado pela correção.
      Abs,

      • Convidado

        Apenas lembrando que o flúor não combate cárie e que sua ineficácia já foi provada.

  • Thamy

    Oie!

    Olha, a água da torneira da minha cidade é de boa qualidade sim.
    Pelo menos, é com ela que eu mato a minha sede há quatro anos sem nunca ter tido nenhum problema de saúde.
    Pra não beber diretamente da torneira, comprei um filtro, desses portáteis, só pra pra ficar com a consciência tranquila mesmo. Daí é só encher o filtro com uma jarra e pronto, super prático e econômico!