De Estocolmo a Tbilisi: a ONU e a Educação Ambiental

Apesar da COP-15 ter sido um evento mal sucedido e ter tido apenas um visão econômica dos problemas ambientais, a ONU tem um papel histórico na construção da Educação Ambiental, que é possivelmente a mais eficaz solução para a crise civilizatória.

A partir da Declaração de Estocolmo, documento construído na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano – Estocolmo, 1972 – a EA passou a ser considerada como campo de ação pedagógico, adquirindo relevância e vigência internacional. Dois marcos para o desenvolvimento de uma política mundial para proteção do ambiental foram trazidos pela Conferência de Estocolmo: o primeiro, a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com sede em Nairóbi, Quênia, e o outro marco foi a recomendação de que se criasse o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA), conhecida com “Recomendação 96”, a qual sugere que “se promova a educação ambiental como um base de estratégias para atacar a crise do meio ambiente”.

Em 1975, é lançada a “Carta de Belgrado”, buscando uma estrutura global para a EA, nela é entendido como absolutamente vital que os cidadãos insistam a favor de medidas que possibilitem a construção de um modelo de desenvolvimento que não traga consequências às pessoas, este seria construído através, dentre outros mecanismos, da reforma dos processos e sistemas educacionais.

Após analise da situação ambiental da época é afirmado na Carta de Belgrado que “os recursos do mundo devem ser desenvolvidos de modo a beneficiar toda humanidade”, o que seria possibilitado através de uma “nova ética global”, onde atitudes e comportamentos de indivíduos e sociedades consoantes com o espaço de humanidade na biosfera sejam defendidos, o que possibilitaria novas abordagens para o desenvolvimento.

Em 1977, na cidade de Tbilisi, Geórgia, foi realizado um dos mais importantes eventos internacional em favor de EA. A Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, fortemente inspirada na Carta de Belgrado, elaborou princípios, estratégias e ações orientadoras em EA que são adotados mundialmente até os dias atuais.

A Declaração de Tbilisi (1977) ratificou as orientações das conferências anteriores, entendendo que a EA é resultado de diferentes disciplinas e experiências educacionais, devendo então, ser adotado um enfoque global enraizado numa ampla base interdisciplinar.

A EA, segundo a Declaração de Tbilisi (1977), deverá preparar o individuo através da compreensão dos principais problemas do mundo contemporâneo. Desta forma, proporcionar aos indivíduos e a sociedades conhecimentos necessários para desempenhar uma função produtiva que vise melhorar a vida e proteger o ambiente.

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