Crescimento demográfico x Impactos ambientais

São aproximadamente 6,5 bilhões de pessoas no mundo atualmente e, segundo previsões, ultrapassaremos a marca dos 7 bilhões a partir de 2012, se estabilizando por volta dos 10 bilhões, dizem alguns demógrafos.

Alguns números quando apresentados sempre são surpreendentes, especialmente pelo intervalo de tempo para cada fenômeno acontecer. Vamos a eles: até o início da era Cristã, a população no mundo era de 250 milhões; em 1750 ela tinha dobrado alcançando 550 milhões – agora os números que mais causam surpresa. Em 1850 esse número alcançou 1,1 bilhão de pessoas (dobrou em apenas 1 século) e alcançou os 3 bilhões em 1965 (triplicou em um pouco mais de 1 século) e, hoje, após 5 décadas dobrou novamente, alcançando os mais de 6 bilhões.

Mas qual ligação entre crescimento populacional e esse blog que trata sobre questões ambientais, conscientização acerca dos problemas atuais e outra coisas? Pensei em tratar primeiramente desse tema para tentar contribuir na relação crescimento demográfico X impactos ambientais, um tema bastante polêmico na atualidade e que, a meu ver, vem sendo tratado com uma carregada carga. Esse surpreendente crescimento no período moderno é apontado como um dos principais causadores da pobreza e dos impactos ambientais, já que cada ser humano consome e destrói cada vez mais a natureza de forma “irracional”. Aí está o problema.

O desenvolvimento capitalista é desigual e contraditório em sua essência, assim, não se pode homogeneizar (como é feito) esse crescimento demográfico. O ritmo dele é bastante diferenciado entre os países centrais, periféricos e semi-periféricos (como o Brasil, Argentina, China, África do Sul, etc.), este ritmo é muito mais acelerado nos dois últimos, e são lá que se concentram o maior número de pessoas. A grande maioria delas que moram lá não tem mínima capacidade de consumo se comparados a dos países centrais, consumindo, assim, muito menos, tanto em termos de quantidade e em qualidade.

O conceito de Pegada Ecológica, desenvolvido pelo WWF, mede o impacto que cada indivíduo traz para o planeta e é uma importante ferramenta para identificar isto. Esse estudo mostra que o consumo de um americano de classe média é cerca de 10 vezes maior que de um africano ou asiático, então não podemos de forma nenhuma culpar o crescimento demográfico, que hoje ocorre nos países pobres, como uma das principais causas dos impactos ambientais negativos. O problema é, sim, o nível de consumo e a forma como se consome nesses países centrais e a parte mais rica da população dos países pobres, que causam danos muito maiores do que a grande parte da população mundial que mal tem condições de reprodução da sua própria vida.

“A história da sociedade é a história das lutas de classes” (Marx, Manifesto Comunista), e ela se faz presente, também, na relação estabelecida entre a sociedade e a natureza (tratados de forma oposta – um é um e o outro é o outro). A relação com a natureza é diferenciada ao redor do mundo, e influenciada por vários fatores (classe social, o espaço, cultura, economia, etc.), assim, nunca devem ser homogeneizadas características tão diversas, principalmente quando colocam a culpa de todos os problemas ambientais de forma igual em cada indivíduo deste nosso planeta, porque está não é a realidade.

Bastariam apenas 4% das 256 maiores fortunas do mundo para satisfazer as necessidades básicas de toda a população mundial. Incrível isso!. Como li uma vez, “não há nada mais desigual do que o tratamento igualitário de desiguais”.

Vou terminar com uma citação de um geógrafo inglês, David Harvey, que mostra bem a desigualdade existente hoje, e que é um forte argumento contestador das opiniões – ainda hegemônicas – apresentadas anteriormente:

“No tocante às classes, o Relatório do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas de 1996 afirma que ‘entre 1960 e 1991, a parcela dos 20% mais ricos passou de 70 para 85% da renda global – enquanto a dos mais pobres declinou de 2,3 para 1,4%’. À altura de 1991, ‘mais de 85% da população mundial recebia apenas 15% da renda’, e ‘o valor líquido da renda das 358 pessoas mais ricas, os bilionários do dólar, equivale à renda combinada dos 45% mais pobres da população mundial – 2,3 bilhões de pessoas’. Nos Estados Unidos, a riqueza líquida somente de Bill Gates era, em 1995, maior do que a renda líquida combinada dos 40% mais pobres da população americana (106 milhões de pessoas).”

Os maiores danos ambientais são causados por aqueles que detêm o capital, resumindo…

Comentem, se possível, podem discordar também que é interessante.

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  • S.N.U.B

    Texto completamente tapado – o autor não enxerga as principais causas dos problemas ambientais. Os aponta, problema: gente demais – e solução: distribuição de renda.

    Analisando o crescimento populacional nos países desenvolvidos (baixa natalidade), logo se diz: ah, então basta desenvolver os países pobres e os problemas de crescimento populacional se resolverão… Pura falácia capitalista da contradição em termos que é “Desenvolvimento Sustentável”.

    A culpa é de cada indivíduo, sim. Principalmente dos parasitários.

    Humanismo é um dos problemas. Moral cega é um dos problemas. Individualismo é uma das causas. Mas o autor não pode falar sobre isso – é tabu.

    Aguarde um artigo em nosso blog, esclarecedor, pois a melhor crítica é aquela que aponta problemas e soluções claras e objetivas.

  • Harlan Rodrigo

    Vamos por partes S.N.U.B.

    Onde vc leu que EU disse que os problemas ambientais eram causados por gente demais? EU falei justamente o contrário. Eu somente analisei o discurso da crítica atual que – ela sim – põe os problemas na quantidade da populaçao atualmente no nosso planeta, mas eu nunca disse que concordo com isso, muito pelo contrário, essa é a minha crítica. Bastaria ler com mais atenção!…

    Concordo contigo, para mim sim, uma das soluções é uma justa distribuição de renda e melhorias sociais (não é somente dinheiro!). Porque inclusive os impactos causados pela população pobre, que normalmente ocorre na sua escala de vivência – o bairro, a favela, a rua, etc…- iriam ser drasticamente diminuídos. Como diria o grande Josué de Castro, a fome é o principal problema ambiental que existe. Como vc pode achar que vai melhorar as condições ambientais se bilhões de pessoas não tem o que comer? Vc acha que eles vão se procupar em cuidar do seu redor se não conseguem o mínimo para SOBREVIVER?

    E todas as grandes catástrofes naturais estão diretamente ligados aos que consomem e muito os recursos naturais, aí entra indivíduos, empresas e Estados.

    O direcionamento da falácia capitalista não é diretamente pra mim não né? Até pq se vc conhecer o mínimo dessas teorias vai perceber, no meu post, que não é por aí que eu direciono meu pensamento.

    Vc se contradiz toda hora, como que o Humanismo vai ver os principais problemas no individualismo? Se vc estivesse falando dos liberais eu aceitava totalmente, mas o Humanismo (entendo como toda corrente crítica de esquerda, etc…) enxerga pela ótica dos grupos sociais. Quem encerga tudo pela ótica individual é o liberalismo, e esta é uma das principais ideologias plantadas na gente fruto dessa corrente, hoje tudo centra-se no indivíduo, todos são chamados a competir com todos…

    E tipo, qual seu blog mesmo? Quero realmente saber os problemas e soluções claras e objetivas de vcs…

  • S.N.U.B

    Solução clara e objetiva?

    Confira o Manifesto Anti-Humanista:

    http://www.sociedadeniilista.wordpress.com

  • http://twitter.com/camicani/status/21084694964 Camila Souza

    Crescimento demográfico x Impactos ambientais – http://twurl.nl/cx5w3h

  • Paulo

    Meu caro, acho que você deve rever seus conceitos. Tenta explicar situações extremamente complexas com um discurso fraco e de argumentação muito simples. Recorrer ao Manifesto Comunista de Marx para justificar os problemas ambientais como decorrentes de lutas de classes é tentar fazer proselitismo barato com pouca argumentação. Li, ainda, em seu perfil que tem opiniões menos românticas sobre a Natureza mas, no sua essência, seu post desenvolve-se justamente no romantismo da luta de classes, do capitalismo selvagem, da exploração dos oprimidos, ou seja, contraria o que alega. Li, também, que deseja viver muito tempo em Cuba para ser um ser humano melhor(mais uma vez – romantismo). Ainda não fui a Cuba, porém o meu irmão esteve lá recentemente e, pelo que me falou e pelo que conseguiu fotografar, realmente, o povo cubano deve ser excelente, pois só assim para aguentar aquela situação. Não sou de direita nem de esquerda, acho que a causa de diversos problemas está nessa dicotomia.Pela forma como escreve seu viés é de “esquerda”(como bom graduado de universidade federal sabe a origem do termo “esquerda” na concepção em que está sendo aplicada?), dessa forma, irá gostar muito de Cuba. Por fim, sou assíduo leitor do grande mestre Milton Santos e creio que os problemas ambientais estão mais interligados à ocupação dos espaços e a urbanização do que propriamente ao crescimento demográfico. Vou torce para que vá a Cuba, não só para alcançar seu objetivo de se tornar um ser humano melhor e, conforme meu irmão falou, por ser um lugar muito bonito.

  • http://www.essetalmeioambiente.com Harlan Rodrigo

    Olá…

    Então, ainda não acredito que devo rever meus conceitos quanto ao que foi escrito no post, mesmo o tendo escrito há mais de 1 ano.
    No post eu não tentei explicar a origem dos problemas ambientais em sua profundidade, só dei apenas uma idéia do que imagino que seja e ainda acho que o grande nível de consumo de poucos agentes que atuam no espaço, os agentes hegemônicos. Dentre eles, estão pessoas, empresas e Estados. São as formas de uso que todos (eles) fazem do espaço, sempre visando interesses particulares, claro que ligados aos interesses do capital que provocam os maiores problemas ambientais.
    O objetivo do artigo é desmistificar a idéia de que o crescimento demográfico, que há algumas décadas é muito mais intenso nos países pobres, seja o causador de todos os problemas ambientais que ocorrem no mundo. Argumento este que está na boca de grupos importantes, como a mídia, milionários, professores, etc. Lógico que a população pobre causa impactos, só que na maioria das vezes eles mesmos são os mais prejudicados, como na questão do descarte do lixo, do saneamento e tal. Eles que mais se prejudicam, mas como os culpar totalmente se o Estado não dá o suporte necessário a essas classes, como nas favelas? Aí jogam lixo nas encostas mesmo…
    Não tenho romantismo quanto a luta de classes, ainda tou desenvolvendo idéias acerca disso, não me considero marxista, mas bebo das contribuições dos marxistas. Citar Marx não torna uma pessoa marxista, por isso me sinto livre pra não concordar com certas idéias, muitas vezes românticas sobre a luta de classes. Vc não falou que eu sou, só pra não ter confusão.
    Sobre Cuba, sim, eu quero morar lá e aprender muito com aquele povo. Lá é pobre, muito pobre. Mas como não ser se os EUA não deixam que Cuba negocie livremente com outros países? Como dar melhores condições de vida se os EUA gastam milhões de dólares por ano para derrubar o Estado Cubano? Vide as damas de branco e seus maridos presos (que não são presos políticos, foram presos por tentar derrubar o regime, coisa que é ilegal em qualquer país, tente fazer aqui no Brasil isso, nos EUA, em qualquer país da Europa pra ver se você não vai ser preso) por receberem muito dinheiro dos EUA para tal finalidade. Vc conhece o regime político de Cuba, vc acha que lá tem uma democracia ou uma ditadura? Uma dica: não argumente com o que a mídia mostra, vá em blogs e comunidades sobre isso…
    Também sou leitor de Milton Santos, gosto muito do que ele escreve. Mas queria muito uma citação, com referência, em que Milton Santos mostra que os problemas ambientais são causados pela ocupação do espaço e pela urbanização.

    Até…

  • Pingback: “Em 21 de Agosto, a humanidade terá excedido os recursos naturais do Planeta”, afirma o GFN | E esse tal Meio Ambiente?

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  • Taveiraleo2

    Otimo

  • Betanio

    Nossa que briguinha tosca e sem graça !

  • Betanio

    Cada um tem uma forma de ver a destruição do planeta o modo não é VER o que esta acontecendo e ficar discutindo teses e sim AGIR para impedir esses caos vcs ao inves de brigarem poderiam se unir e chamar o maximo de pessoas para ir as ruas porque sem revendicaçãoes NADA acontece ! VAMOS NOS UNIRMOS !

  • Andrezza

    Realmente, não adianta ficar discutindo sem ninguém fazer nada, o que vale é ajudar o nosso planeta.

  • Matheus Antonio Rissato

    que legal eu achei que nõa aprenderia facil e rapido sobre tudo isso
    e vale apena vc tbm saber em um sinples trabalho de biologia
    vc descóbre coisas muito legais.

  • Raymundo Júnior

    Harlan Rodrigo,

    Parabéns pelo texto. Tbm concordo com com vc. Acho inclusive que esta idéia neo-malthusiana já está sendo muito contestada, e na minha visão, com total relevância.