Como estão os preparativos para a Copa Verde do Brasil?

Ao final da Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, o presidente Luis Inácio Lula da Silva afirmou que a Copa de 2014, que será realizada no Brasil, terá como uma de suas marcas principais a sustentabilidade. “Faremos uma Copa verde. Verde como nossas florestas. A sustentabilidade ambiental é uma prioridade para o Brasil e será uma das marcas da Copa em nosso país. Ela será uma grande oportunidade para acelerar o crescimento em infraestrutura necessário para o mundial e fundamental para o desenvolvimento do nosso Brasil”, afirmou o presidente.

No post A Copa do Mundo é Nossa!, o João Paulo mencionou que o Brasil não poderia fugir de sua responsabilidade de realizar uma Copa Verde, afinal, ele é uma das maiores potências ambientais, além de ter a maior floresta e a maior biodiversidade.

Projeto do Beira-Rio (crédito: Hype Studio)

Passado algum tempo do final da Copa da África, e depois de muitas promessas sobre a Copa Verde, como será que estão os preparativos para a Copa 2014?

Os estádios do Mineirão, em Belo Horizonte, e o Verdão, em Cuiabá, têm projetos de utilizarem suas estruturas para a geração de energia solar. Os painéis seriam colocados nas coberturas de concreto dos estádios; a energia seria armazenada e comercializada pelas concessionárias locais. Contudo, o estádio do Mineirão na fará uso da energia solar gerada; já no estádio do Verdão, a energia além de ser comercializada, também seria utilizada na iluminação do Parque do Cocô, onde fica o estádio.

Projeto do Mineirão (crédito: Gustavo Penna Arquitetos)

No Rio de Janeiro já foram iniciadas obras de ampliação das ciclovias. Serão mais 12 km de ciclovias e faixas compartilhas na Zona Oeste Carioca. Atualmente o Rio conta com 150 km de ciclovias e a proposta é dobrar este número até 2012. Além disso, o projeto conta com a ampliação de bicicletários.

O projeto dos gaúchos para a Copa prever a revitalização da área urbana no entorno do Beira-Rio. Segundo o arquiteto Fernando Balvedi, que assina o projeto, o estudo de impacto ambiental está quase finalizado. Só após a conclusão do estudo é que se poderão prever os limites das intervenções.  O Beira-Rio fica localizado no entorno do Parque Marinha do Brasil, e do Morro de Santa Tereza, uma APA – Área de Proteção Ambiental.

Ainda no Sul do Brasil, os estados do Rio Grande do Sul e do Paraná terão que implementar novas linhas transmissão e subestações de energia para atender a demanda da Copa. O estudo para finalização do projeto deve ser concluído até dezembro deste ano, ainda não foram revelados os danos de possíveis impactos ambientais.

Falando em geração de energia, talvez a maior mancha para a Copa Verde pretendida pelo Brasil, será a construção da hidrelétrica de Belo Monte. As obras de construção da hidrelétrica inundarão uma área de mais de 500 quilômetros de floresta e levarão a remoção de cerca de 50 mil  indígenas, ribeirinhos, agricultores, quilombolas e outras populações tradicionais que vivem na região. Segundo manifestantes contrários à realização da construção, o projeto vai de encontro as convenções internacionais de direitos humanos, à legislação brasileira e à Constituição do país.

Os preparativos para a Copa de 2014 estão apenas no início, e algumas questões já perturbam as nossas mentes: Será que todos os esforços para realização da proclamada Copa Verde serão capazes de minimizar ou reparar os danos de apenas uma obra, a da hidrelétrica de Belo Monte? A sustentabilidade será mesmo uma das marcas da copa? Ou será a insustentabilidade a maior marca?

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  • Larissa

    É muito mais fácil fazer um estádio verde quando se começa do zero, do que reformar construções que já existem de acordo com os princípios ambientais.
    O blog http://www.desafiocidadessustentaveis.com.br também fala das obras da Copa e dos desafios que as cidades-sede estão enfrentando. Vale a pena conhecer!
    Abs

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  • Luiza

    Resumindo: novamente a nossa sustentabilidade tá muito mais para “inglês ver” do que para trazer resultados concretos. È fácil falar em sustentabilidade quando se derruba estádios para construir outros “verdes” os quais certamente vão gerar licitações fraudulentas e custos exorbitantemente superfaturados.
    Certamente os milhões de turistas que visitarão nosso país durante a copa não visitarão Belo Monte, portanto o “verde” se concentra em ciclovias nas áreas nobres do Rio de Janeiro ou em estádios supermodernos e imponentes onde serão realizados os jogos (o Engenhão, por exemplo, continua lá subutilizado e com a favelização e a violencia tomando conta de seu entorno) .
    Enfim, esta copa verde não está me convencendo.