Código Florestal, Belo Monte, Rio+20… O que esperar para 2012?!

E começa 2012…

O Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos. O ano da Rio+20.  Mas também, o ano decisivo para o Código Florestal Brasileiro e para o movimento ambiental de um modo geral.

Infelizmente, começamos 2012 sem muitas boas notícias para dar. As chuvas que assolam os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro deixaram vários desaparecidos e milhares desabrigados. A seca no Rio Grande do Sul já atinge mais de 100 municípios, afetando a vida de mais de 460 mil pessoas.

Um caso revoltante veio à público na última semana: a morte de uma criança indígena por madeireiros no Maranhão. O corpo da criança, carbonizado, foi encontrado em um acampamento em outubro do ano passado.  A Fundação Nacional do Índio (Funai) foi avisada na época, mas nada fez. Nenhuma investigação foi aberta para apurar o caso, afinal a quem interessa a divulgação do mesmo? A quem tem dinheiro, certamente não. Logo, também não é interessante ao Governo.

Dilma parece não estar muito aí para questão ambiental no Brasil

Esse, como se não tivesse motivos o suficiente para nos revoltar, escorregou novamente. Com o intuito de facilitar a instalação de novas hidrelétricas no norte do país, a presidente Dilma publicou Medida Provisória que flexibiliza as áreas de Unidades de Conservação, ou seja, as diminui e dar lugar à destruição das mesmas. Mesmo tendo um desempenho pior do que Collor em relação ao meio ambiente, em seu primeiro ano de governo, Dilma nos surpreende cada vez mais com sua falta de compromisso. Ela está destruindo o pouco que foi conseguido até então, e pior, ignorando todos especialistas, sociedade civil, organismos internacionais…

 O que esperar em 2012

Além de muito calor, já que este é considerado pelos cientistas como um dos 10 anos mais quentes desde 1850, haverá muita tensão e decisões cruciais em jogo. Em março, o texto do Código Florestal estará de volta à Câmara dos Deputados, seguindo depois às mãos da presidente. Essa, havia prometido vetar os pontos mais duvidosos. Entretanto, em face de seus últimos feitos, ela é a mais interessada em aprovar qualquer coisa que vá favorecer ruralistas, grandes empresários e “a economia do país”.

Há ainda muito o que rolar em relação à construção da Hidrelétrica de Belo Monte. O ano de 2011 trouxe maior visibilidade ao que vem acontecendo no norte do país, e vamos esperar que essa conscientização se converta em maior pressão popular. Diversos atores sociais estão tomando partido, cidadãos que antes não faziam ideia do impacto causado por Belo Monte, hoje abrem os olhos. Há ainda muita ignorância sobre o real propósito da construção da hidrelétrica, infelizmente. O Governo tem colocado a questão do crescimento econômico e crise energética como motivos para destruir o meio ambiente e infringir os direitos humanos.

Isso me lembra algo que um amigo, muito oportunamente, colocou: “Se você fosse presidente de um país que é o 6° PIB e o 84° IDH, em que você investiria 30 bilhões de reais: produção industrial ou educação?” Não é preciso falar mais nada.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, acontecerá em junho, no Rio de Janeiro. Ela trará a questão do desenvolvimento econômico de forma sustentável. Num período de crise econômica na Europa, o investimento em mitigação e prevenção será certamente comprometido. Eis aí o momento certo para o Brasil despontar como um dos líderes mundiais no que se refere às questões ambientais. Rico em biodiversidade e recursos hídricos, nada o impede, a não ser vontade política.

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  • http://essetalmeioambiente.com/arbitrariamente-governo-desapropria-o-equivalente-a-282-mil-campos-de-futebol-para-construcao-de-belo-monte/ Governo desapropria área equivalente a 282 mil campos de futebol para construção de Belo Monte | E esse tal Meio Ambiente?

    [...] Dilma, o PT e sua patota não brincam em serviço, e já começaram o ano fazendo estrago. Após flexibilizar as áreas de Unidades de Conversação no norte do país, ela agora, através da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), desapropria terras de [...]

  • William Pantaleao

    Concordo em muitos pontos com descritos no post. Porém sabemos o quanto o nosso país é desigual e um dos motivos é a infra estrutura inexistente nas regiões norte e nordeste desse país. Não sei de que estado vc é de origem, e nem que cidade vive, porém eu tenho origem paulista e visitando outros estados fica claro a diferença de estrutura q temos.
    Construir a tal usina, pode ser o inicio do crescimento dessas regiões e faça um análise, apesar de nosso país ter muita corrupção e roubo, o crescimento real foi iniciado apartir do governo Collor.

    Fica a mensagem de um Brasileiro que tem espeça de viver em um país desenvolvido e igual para todos em oportunidades!

  • Diêgo Lôbo

    Olá William,
    Concordo contigo em relação a desigualdade.
    Sou do Nordeste, de Salvador, e conheço outras capitais da região. Sei bem o que quer dizer quando fala sobre falta de infraestrutura e desigualdades nessas regiões.
    Também é inegável a necessidade de energia para o desenvolvimento do país.

    Por outro lado, não é conhecido um único caso de construção de usinas desse porte que tenham impactos positivos para comunidade local. São eles o que mais perdem.
    Vou dizer o porquê: são milhares de trabalhadores que são deslocados, do dia pra noite, para estas cidades – que geralmente já são pobres. Se não há infra agora, com a ida do empreedimento também não o terá, pois não é investido o suficiente. Muitas famílias perdem suas casas, seus meios de vida e são obrigadas a mudar para as cidades, contribuindo para superpopulação e crises nas áreas de saúde e educação. 
    Se você sempre trabalhou com agricultura, e perde sua terra, o que fará? Provavelmente ficará desempregado ou pegará um desses trabalhos subdesenvolvidos para ganhar o mínimo. Acha que é esse o tipo de desenvolvimento que essas famílias desejam?
    E o trabalho escravo a que esses trabalhadores são submetidos? Horas e horas a fio, longe da família, com alimentação precária.

    Difícil aceitar, mas o norte do país vive um mundo totalmente diferente do nosso. Não é exagero dizer que lá é terra sem lei. Acredite.

    Valeu pelo comentário.