Bate Bola com os autores: Pedro Witchs

Pedro é o único autor do blog fora do eixo São Paulo – Bahia. Residente do estado do Rio Grande do Sul, tem um gosto musical bastante eclético, mas diz que gosta mesmo é de cinema – “sobretudo aqueles (filmes) bem esquisitos, que não são tão populares e que muitas vezes terminam assim, sem muito sentido” – relata Pedro.
Seu esporte é a natação, o único que pratica, mas, por conta de muitos compromissos neste semestre, teve que parar. Entretanto, exalta que, assim que puder, pretende voltar a nadar. Em suas horas de lazer, Pedro gosta de conversar na língua dos sinais, mas não, isso é somente um lazer mesmo, pois Pedro ouve e fala.
Em sua entrevista, ele comenta sobre seu interesse em língua brasileira de sinais (LIBRAS) e também sobre o trabalho que realiza com surdos. Portador de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), Pedro é cheio de manias e diz: “eu gosto de usar roupas com cores que combinam, no máximo dois tons por dia, e sou muito detalhista. Observo cada detalhe de cada coisa, por isso tudo precisa estar milimetricamente organizado no espaço em que habito”.

Isso é um pouco do Pedro Witchs e, a seguir, conhecerão mais sobre ele e seus projetos.

1. Conte um pouco sobre a sua formação e sobre o seu trabalho atual.

Penso que a minha formação começou antes de eu ingressar na universidade. Quando eu ainda estava nas séries iniciais do Ensino Fundamental, comecei a participar de um grupo na escola que desenvolvia atividades de conscientização ambiental. No Ensino Médio, em outra escola, também participei de um outro grupo que tinha o mesmo foco. Minha professora de Biologia, que coordenava esse grupo, vez ou outra nos levava em atividades desenvolvidas pelo grupo de educação ambiental do qual ela participou quando esteve na universidade. Sendo assim, quando ingressei no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, logo no meu primeiro dia na universidade já fui convocado pelo professor coordenador do grupo de educação ambiental para fazer parte dele.

Estive vinculado a esse grupo durante meus primeiros quatro semestres, que foram de suma importância para a minha formação. Durante esse tempo, tive a oportunidade de trabalhar num projeto de caracterização de trilhas interpretativas pelo campus da universidade. Ao mesmo tempo em que conhecíamos mais a fundo essas trilhas, nós recebíamos estudantes da Educação Básica para guiá-los por elas, repassando o conhecimento que obtínhamos através delas. Nosso trabalho, resumidamente, era incentivar a percepção desses estudantes sobre o ambiente, pois seguíamos a ideia de que através do conhecimento os jovens poderiam se sensibilizar com o ambiente e, consequentemente, tratá-lo melhor.

Atualmente estou afastado do trabalho ambiental, pois nos últimos anos tenho me dedicado em tempo integral a investigar sobre o ensino de Ciências e Biologia para surdos, com um foco em como se dá esse processo por meio da língua de sinais. Em um primeiro momento, pode parecer muito além da questão ambiental, mas se olharmos de forma mais ampla para esse meu foco, penso que seja possível criar relações que fomentarão a educação ambiental para surdos, que são membros de uma comunidade que apresenta diferenças culturais e linguísticas bastante singulares e pouquíssimo reconhecidas.

2. Qual sua relação com o meio ambiente? Fora o E esse tal Meio Ambiente?, está envolvido em outros projetos da área socioambiental? Fale sobre eles…

Bom, a minha relação com o meio ambiente sempre tentou ser a menos impactante possível, mas tenho consciência de que eu poderia exercer uma prática muito mais colaboradora do que a que exerço atualmente. Além da forma como fui constituído ao longo dos anos que participei desses grupos de educação ambiental, por algum tempo pratiquei o escotismo, que é um estilo de vida que me manteve em uma relação muito íntima com o ambiente. Através de filosofias instituídas há mais de cem anos pelo fundador do escotismo Sir Baden-Powell, tive a oportunidade de ter um profundo contato e respeito com a natureza e com os seres vivos antes mesmo de ingressar nessa vida de acadêmico de Biologia.

Outro item da minha relação com o meio ambiente que eu posso citar e que eu acredito ser muito relevante, é o meu hábito alimentar. Sou ovo-lacto vegetariano e, antes que algum onívoro jogue a primeira pedra, quero deixar claro que eu não infernizo a vida de pessoas que comem carne, nem me sinto superior a elas. Não me considero um militante do vegetarianismo, embora admire o movimento, nem mesmo me autorizo a tentar conscientizar as pessoas sobre os benefícios que o não-consumo da carne pode trazer ao meio ambiente. Entendo que isso pode chatear meus colegas vegetarianos, mas gosto de pensar que poderei ser mais útil pela causa no futuro (tenho planos de desenvolver trabalhos sobre a cultura presente em comunidades de espécies não-humanas, mas preciso “comer muito feijão” ainda, academicamente falando, para obter sucesso em meus futuros estudos). Entendo o quão forte é a cultura do consumo de carne por humanos, por isso penso que talvez seja necessário encontrar mais motivos – e motivos bem fundamentados – que justifiquem nossa escolha e que contribuam para que um dia muito mais pessoas concordem conosco sobre ela.

Devido a motivos que mencionei anteriormente nesta entrevista, infelizmente, no momento não me encontro envolvido em outros projetos socioambientais além do blog – pelo menos não em uma perspectiva limitada.

3. Há quanto tempo escreve pro blog? Como começou e como tem sido essa experiência pra você?

Integro a equipe do E esse tal Meio Ambiente? desde sua fundação em 2009. Eu já era amigo do nosso boss Diêgo Lôbo antes disso. Fomos apresentamos por um amigo de internet em comum que percebeu que ambos tínhamos uma afinidade pelo meio ambiente e muito o que conversar sobre a temática. Quando o Lôbo me convidou pra integrar a equipe do blog, não levei tão a sério de início, achei que fosse mais um desses projetos que logo são deixados pra trás.

No início, eu ocupava uma posição mais focada na educação ambiental, costumo brincar que agora quem ocupa essa posição é o Dan, nosso blogueiro educador. Hoje, quando eu olho para trás, sinto orgulho de dizer que faço parte desse projeto, mesmo que a minha participação não seja tão efetiva como a dos outros membros, pois ele sobrevive e está cada vez mais adaptado. Afinal – momento professor de Biologia – não são os mais fortes que sobrevivem, mas sim os mais adaptados!

4. Como começou seu interesse pela língua dos sinais? Fale um pouco mais das relações que você acha que podem fomentar a educação ambiental para surdos.

Meu interesse em aprender língua de sinais se deu – como costumo dizer – de forma despretensiosa. Eu não tinha contato com pessoas da comunidade surda, nem tenho em minha família pessoas surdas ou que soubessem língua de sinais. Sabe quando a gente tá no início da adolescência e tem aquele interesse em aprender inglês ou uma outra língua? Pois é, foi desse jeito. Procurei um curso de língua de sinais brasileira (Libras) e me matriculei nele. Claro que a fluência na língua se deu a partir do momento em que comecei a utilizá-la quase que diariamente em meu trabalho, com os professores surdos da universidade, e também quando desenvolvi meus estágios de docência em escola de surdos.

Quando falei, anteriormente, sobre as relações do meu trabalho atual com a educação ambiental para surdos, quis dizer que ainda há muita coisa para ser estudada acerca da maneira como se ensina Ciências e Biologia, ou qualquer outro campo de saber, por meio da língua de sinais. A terminologia nessas disciplinas escolares é vasta quando se trata de uma língua de modalidade oral-auditiva (ex.: português, inglês, francês, espanhol, etc.) e os professores que as lecionam em língua de sinais, sejam eles surdos ou ouvintes, sentem uma necessidade de formalizar essas terminologias também nas línguas de modalidade espacial-visual (ex.: Libras, língua de sinais americana, língua de sinais britânica, língua gestual portuguesa, etc.), pois, ao se ensinar na língua utilizada pelos surdos, as coisas fluem – se posso dizer assim – com mais naturalidade.

Isso resulta em produzir condições de garantia para o desenvolvimento do processo de aprendizagem dessas pessoas a partir de sua própria língua, de sua própria cultura. A produção de conhecimento sobre a educação de surdos possibilita a fomentação de práticas de educação ambiental adaptadas para a cultura surda, que pode ser pensada – para o leitor melhor entender o que quero dizer quando falo “cultura surda” – como uma forma diferente dos surdos entenderem, experienciarem e lidarem com o mundo.

5. Qual sua visão para o futuro do planeta?

Nos últimos tempos tenho evitado fazer exercícios de futurologia. Nada contra quem gosta de tentar dar uma previsão para as coisas. Nós todos fazemos isso quase que diariamente. Eu, particularmente, prefiro trabalhar com esse assunto utilizando ferramentas com as quais sei manusear. Estou inclinado a olhar para as práticas humanas, sobretudo as voltadas à educação, e tenho, à minha disposição, recursos que me possibilitem observar como essas práticas se desenvolveram do passado até hoje. Esse trabalho exercido por historiadores ou por pesquisadores que cavam o passado me permite tentar compreender nossas ações atuais.

A partir disso, posso pensar em estratégias que desconstruam e reconstruam um pensamento, um determinado comportamento, uma determinada atitude em relação ao planeta. Ou seja, não me permito tentar ver o futuro, mas posso tentar construí-lo com o que tenho em mãos e com que está ao meu alcance.

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Para finalizar, gostaria de complementar que Pedro possui um blog voltado à educação para surdos, o Biologia em Libras. Quem tiver interesse ou dúvida sobre o assunto é só acessar o blog ou entrar em contato.

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  • Soniabtolfo

    Li com bastante atenção a entrevista do Pedro e fiquei impressionada com o idealismo deste jovem professor e, também , com sua facilidade de expressão. Parabéns e mantenha – se focado!

    • http://www.facebook.com/people/Pedro-Witchs/100000613747579 Pedro Witchs

      Muito obrigado pelas parabenizações, Sonia!

  • http://www.facebook.com/diegolobog Diêgo Lôbo

    Quem foi o amigo que nos apresentou? Éric? Will? Nos conhecemos na HPB, as pessoas não se apresentam… acho. rs

    • http://www.facebook.com/people/Pedro-Witchs/100000613747579 Pedro Witchs

      Que decepção sua memória, amigo. Quem nos apresentou foi o Mike, da GX, via msn. Eu não cheguei a te conhecer na HPB, que-ri-do.

      • http://www.facebook.com/diegolobog Diêgo Lôbo

        Ah foi?! Como iria lembrar de algo há mais de 5 anos atrás? Só sei que te conheço…
        E não chame de querido, fica parecendo falsidade. rs.

  • http://twitter.com/DannRocha Dann Rocha

    Vou usar a justificativa de ser um blogueiro educador, no meu projeto de mestrado. É uma boa justificativa, e uma causa bem justa, deve influenciar na minha aprovação =D

    • http://www.facebook.com/people/Pedro-Witchs/100000613747579 Pedro Witchs

      Hahahaha, Dan! Faça isso!

  • http://twitter.com/DannRocha Dann Rocha

    Vou usar a justificativa de ser um blogueiro educador, no meu projeto de mestrado. É uma boa justificativa, e uma causa bem justa, deve influenciar na minha aprovação =D