Bate Bola com os autores: Diêgo Lôbo
Dando continuidade a seção “Bate bola com os autores”, que iniciou com o João Paulo, coincidentemente este que vos escreve, temos a honra de conhecer um pouco mais do idealizador e editor-chefe do blog, o Diêgo Lôbo.
Diêgo é baiano e aproveita todas as maravilhas que a Bahia pode lhe proporcionar. Nadador exemplar, adora tudo relacionado à vida marítima: praia, oceano e mar que, segundo ele é “um ambiente que passa muita tranquilidade e me relaxa quando preciso.”

Gosta de andar de bicicleta, meio de transporte que oferece diversão e não polui o meio ambiente. Diêgo, veja você, não bebe Coca-Cola. Não bebe, simplesmente. Também desistiu do McDonalds e está tentando, embora reconheça o quanto é difícil, diminuir o consumo de carne.
Adora viajar, já conhece alguns países e está estudando alemão, pois acha a língua muito interessante e que seu aprendizado poderá lhe abrir muitas portas no futuro, possibilitando, quem sabe, morar um tempo em outro país.
De amizade fácil, rapaz tranqüilo, mas não se iluda: Diego já fez caratê e por isso, é bom pensar duas vezes antes de cometer alguma gafe ambiental perto dele. Iáááááááá!!
Prestes a se formar em Relações Públicas, diz que gostaria de ter feito Engenharia Ambiental, mas lhe digo que ainda há muito tempo, meu amigo.
Tem um gosto diversificado para música, curte desde a ótima banda carioca Los Hermanos, com suas letras reflexivas, até Banda Eva e Forró, dependendo do humor.
Tendo como sobrenome “Lôbo” e “Goiabeira”, dois exemplares de fauna e flora nativos do Brasil, mostra que o nome não lhe é por acaso.
Vida longa a esse baiano arretado de espírito brasileiro!
Confira algumas perguntas que fiz a ele:
Conte um pouco sobre a sua formação e sobre seu trabalho atual
Eu sou técnico em Petróleo e Gás pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), profissão que, apesar de não levar adiante, meu deu uma boa base em relação a questões sobre energia e desenvolvimento sustentável. Estou no último período do curso de Relações Públicas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
Trabalho na Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), organização sem fins lucrativos que apoia iniciativas populares ligadas à defesa de direitos há 38 anos em todo o Brasil. Eu trabalho com mobilização de recursos e comunicação, e faço parte de do programa CESE: Ação para Crianças, uma cooperação internacional entre organizações do Brasil, Índia, África do Sul e Quênia, financiada pelo Governo Holandês.
Como foi e porque surgiu a idéia de se criar o Esse tal Meio Ambiente? E como tem sido a experiência nesses 2 anos?
Então, eu tinha essa inquietação de que precisava fazer algo para ajudar as pessoas a entenderem e, talvez, se preocuparem com as mesmas questões que passei a atentar, mas não sabia como realizar esse desejo. Foi somente quando comecei o curso de comunicação na Universidade que percebi que o que precisava era de uma ferramenta ágil, barata e pudesse se adaptar as minhas necessidades. O blog foi a resposta mais imediata a essa inquietação.
No post de aniversário do blog, descrevi um pouco dessa experiência. Mas posso afirmar que tem sido incrível. Nunca imaginei que aquele projeto chegaria tão longe, teria tanto apoio e, imagine aí, repercussão, seguidores e leitores fiéis. É gratificante demais.
Qual sua relação com o meio ambiente? Fora o E esse tal Meio Ambiente?, está envolvido em outros projetos na área socioambiental? Fale sobre eles…
Sou um pouco suspeito, mas adoro estar em contato com a natureza: adoro o mar, andar de bicicleta no meio da Mata Atlântica, e mesmo respirar um ar puro. Dentro da cidade grande é difícil se ter muito contato com a natureza, mas sempre que posso tento ir a esses lugares. E, claro, há a questão da diminuição do consumo (tantos de certos alimentos como de produtos), reciclagem, economia de energia e água, etc.
Tenho me envolvido sim em outros projetos, como o Th!ink About It, plataforma internacional de discussão, que me proporcionou uma experiência incrível em Portugal; houve também o Bayer Jovens Embaixadores Ambientais, o Grupo de Blogueiros Ambientais; e um projeto ainda em processo de iniciação de um blog para integração de países latinos, o The Latin American Blog.
O E esse tal Meio Ambiente? já ganhou alguns prêmios, foi finalista em alguns outros, vai virar livro…pra você,onde acha que ele pode chegar? Quais são seus objetivos e pretensões para ele?
Pergunta difícil, hein?! Acho complicado mensurar fatores externos, ainda mais sem uma análise mais profunda. Mas de cara, diria que pretendo estabelecer o E esse tal Meio Ambiente? como um dos principais blog na área ambiental do país. Torná-lo mais diverso, mas sem perder a especificidade. Claro que ainda há muito caminho pela frente, temos muito o que aprender e aperfeiçoar. Esse é um processo contínuo, devemos nos adaptar e melhorar com o tempo. Quero melhorar nosso aspecto visual, trazer um pouco do jornalismo para nossos textos e me dedicar um pouco mais na criação e promoção de campanhas. Acho que ainda pecamos nisso. Talvez, seja muita pretensão minha, mas realmente desejo tê-lo como referência, ou seja, que quando se fale em blogs ambientais, esse seja um dos lembrados.
Certa vez li de uma pessoa que foi fazer sua primeira viagem internacional, percorrendo vários países. Ao voltar, declarou que o que mais a impressionou não foram os monumentos ou lugares históricos, e sim que as pessoas não jogavam lixo algum nas ruas.
Você, que já fez algumas viagens para fora, pode fazer uma comparação de como as pessoas lidam com o meio ambiente lá fora e por aqui? Acha que, por mais que se façam campanhas e iniciativas, se a mentalidade do brasileiro não mudar, acha que vai adiantar alguma coisa? Ou que é um problema cultural?
E as perguntas vão ficando mais complexas, né?! Nesses 3 países que visitei pude ver muito claramente diferenças nas atitudes das pessoas em relação ao meio ambiente. Começo pela África do Sul: de antemão, imaginaríamos um país desorganizado e violento. Sim, há isso. Mas também há lugares incríveis. A cidade de Johanesburgo, por exemplo, possui muitos parques, campos de golfe e outras áreas verdes – que são extremamente limpas. Fiquei surpreso também com a qualidade da água e a reciclagem de materiais, principalmente vidro. Além do que, o país possui inúmeras reservas, zoológicos, parques, etc. Ou seja, apesar de não ser um país desenvolvido – ele está muito longe disso – as pessoas com quem convivi tinham hábitos e respeito com o meio ambiente.
Outro destaque é Portugal. E aí é totalmente outra mentalidade, afinal, é Europa. Apesar de falarmos a mesma língua, os portugueses são bem diferentes do brasileiro comum: têm hábitos que condizem com a realidade em que vivem. Poderia facilmente dizer que isso acontece porque há leis severas em relação a poluição. Vi em cada esquina recipientes para coleta de vidros, visitei uma planta de tratamento e posterior depósito da água no rio, além de lindos e conservados parques e jardins, que você não encontra no Brasil. As pessoas têm outra mentalidade, as empresas e o governo.
E aí, a Alemanha. Ah, a Alemanha! A menina dos olhos para nós envolvidos com as temáticas ambientais. Fui participar de um congresso dentro do partido verde alemão, logo, estava no melhor lugar que poderia querer. Os alemães, como poucos povos, têm hábitos de respeito ao meio ambiente, de consumo sustentável, de políticas e lei severas a quem desrespeita, de não incentivo a certas práticas e, até mesmo, de dificultar que tais práticas aconteçam. Fiquei apaixonado pelo sistema de mobilidade urbana, pela limpeza das ruas, pelo comportamento das pessoas. Conheci uma menina que não come carne e não viaja de avião, não mesmo! É só trem, e mesmo com vontade de vir a América Latina, e tendo oportunidades para tal, não veio ainda porque não quer contribuir com as emissões. Inacreditável, não?! Ela foi o retrato da Alemanha ambientalista para mim.
Agora, quando me pergunta se eu acho que campanhas irão mudar as atitudes do brasileiro, por mais otimista que possa ser, acho que elas não são o bastante. (In)felizmente, é preciso mais que isso. Digo o quê: políticas públicas que, além de incentivarem hábitos sustentáveis, dificultem os insustentáveis. Além disso, é preciso criar infra-estruturas que dêem condições a população adotar esses comportamentos: como transporte integrado de qualidade, sistemas eficientes de coleta seletiva (e geração de renda), incentivo para que empresas usem matérias-prima menos impactantes, fiscalização e punições severas àquelas que não minimizam os seus impactos ou não dêem compensação pelo impacto causado, enfim. Muita coisa ainda é necessária para um país que acha que desenvolver-se é sinônimo de produzir e consumir energia. As mudanças não virão de cima, ou seja, do governo, elas acontecem na base, na consciência das pessoas. Quando esse sentimento de mudança estiver em mais pessoas – e te asseguro, ele começa a estar – experimentaremos uma grande mudança nesse país.


07. jun, 2011 






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