Ano Internacional das Florestas: um lamento à comemoração brasileira

Logo no começo do ano, mais precisamente no dia 03 de janeiro, escrevi um post comentando o início do Ano Internacional das Florestas, das ações de sensibilização que seriam realizadas ao redor do mundo, e também de minha preocupação com o cenário político que estava se traçando em relação aos rumos da Legislação Ambiental, e mais especialmente nos reflexos mais imediatos desse cenário.

A “comemoração” do Ano Internacional das Florestas no Brasil começou junto com a intensificação do debate sobre o Código Florestal. Segundo dados divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que usa o sistema Deter para visualizar o desmatamento em tempo real, que entre agosto de 2010 a julho de 2011 cresceu 15% em relação ao mesmo período de 2009/2010. Em números exatos, o Deter apontou que 2.654 km² foram desmatados na Amazônia.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o biólogo Thomas Lovejoy, que pesquisa a Amazônia há vinte anos, disse que segundo o Banco Mundial, se o desmatamento da Amazônia chegar a 20% da floresta original, teremos um caminho sem volta. Isso significa que áreas do sul e sudeste da mata vão começar a secar e se transformar em cerrado. É como jogar uma roleta de dieback [colapso] na Amazônia. Atualmente, o desmatamento chega a quase 18%, e se continuar no ritmo que está poderá chegar aos 20%, em cinco anos.

No mês de abril, quando os debates sobre o Código foram mais fervorosos, o desmatamento aumentou 300% em relação somente ao mês anterior, e 835% em relação ao mês de abril de 2010. Um aumento assustador que teve como estopim as expectativas do setor produtivo em relação à anistia a desmatadores prevista no projeto do Dep. Aldo Rebelo (PCdoB/SP).

O texto do projeto do Dep. Aldo Rebelo foi aprovado na Câmara dos Deputados em clima de festa pela maioria dos Congressistas. O projeto tramita agora pelo Senado e, segundo declarações da Senadora Kátia Abreu (PSD/TO), deve ser votado em outubro, e provavelmente deverá ser aprovado.

A “nova comemoração” que se organiza em Brasília, é a mudança na forma com as Unidades de Conservação (UCs) são criadas. A bancada ruralista defende que a criação de novas UCs seja aprovada no Congresso, a fim de favorecer o aumento nas áreas produtivas. O Dep. Valdir Calatto (PMDB-SC) defendeu a mudança afirmando que a atual forma de criação das UCs levaria o Brasil a virar um parque.

Porém, a festa  mais recente aconteceu devido à publicação no Diário Oficial na última segunda, 15, da MP que reduz a área de três parques nacionais na Amazônia, dois deles para dar lugar a hidrelétricas. Os próximos alvos de redução do governo são as unidades de conservação da região dos rios Tapajós e Jamanxim (PA), onde o governo quer implementar quatro hidrelétricas.

O Ano Internacional das Florestas é comemorado no Brasil de uma maneira bastante deturpada, através das “festas e comemorações” que incentivam o desmatamento, dando aos desmatadores a expectativa de impunidade. Mesmo prevendo um cenário difícil, conturbado, nunca poderia prever, ou ao menos imaginar, que a situação chegaria a esse ponto. Acredito que o próximo passo do ruralistas é brigar pela eliminação do verde da bandeira nacional, que será substituída pela cor de terra seca, pois é assim que ficará a terra sem as chuvas que vêm da Amazônia.

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  • http://twitter.com/jmlima joão miguel

    Você tem toda a razão. O governo brasileiro tem agraciado o planeta com presentes cada vez melhores ao Ano Internacional das Florestas: a usina de Belo Monte, o novo Código Florestal e a anistia aos desmatadores, e as 14 usinas que estão previstas para a região amazônica até 2020. 

  • http://www.facebook.com/dihpardal Diogo Fernando de Oliveira

    Não temos o que comemorarmos no Ano Internacional das Florestas. Fica claro o objetivo dos políticos e alguns ruralistas (não gosto desse termo), de enriquecer, ganhar votos e de “crescer” a qualquer custo.

    Agora, mais essa sobre as UC’s. Porém, não que eu não julgue necessário, pelo contrário. Pela nossa biodiversidade e tudo mais; deveríamos criar mais UC’s, mas; serviria? As que temos hoje em dia não tem manejo, não tem organização; falta pessoal, fiscalização, falta incentivo. Ficam só nos papéis; guardados e nada mais. Acho que HOJE, mais vale investir nas que já temos do que criamos várias UC’s pelo território nacional e deixar ao léu. Conversei com uma amiga bióloga, e ela me fez ter essa visão e de imediato concordei.

    Seria bom, termos mais UC’s. Mas, ainda melhor, seria que elas funcionassem como deveriam.

    Enfim; MUITO bom esse texto, aliás; outro ótimo texto. 

  • Carlos Alberto

    Prezados Querem mesmo resolver, então vamos começar retirando os catalisadores automotivos que fazem aumentar o gás carbônico, isso é fato, é só pegar qualquer dado técnico do fabricante do catalisador que la fala que ele transforma o monóxido de carbono em gás carbônico que causa o efeito estufa, imaginem pessoas quanto vai ser reduzido se o governo concordar em tirar essa peça cara e poluidora, e tem mais, a prefeitura de São Paulo determinou através do decreto 52.209 que todos que possuem motogeradores a Diesel na cidade de São Paulo teria que colocar filtros de poluentes para reduzir essa fumaceira, mas infelizmente o decreto foi postergado por empresas como Stemac, Sotreq, Batisttella entre outras que fabricam o motogerador por usarem um tal de Oxicatalisador vendido por um tal de Dalgas que faz aumentar o gás carbono em suas máquinas, vejam só, o absurdo, pelo que sei quem polui o meio ambiente é criminoso, então porque não mandam a policia ir nessas empresas e começar a autuar essa gente para pararem