Amazônia: Dependência? Ou Independência ou morte?!
por Diego Onório*
“Independência ou Morte” é uma consagrada expressão dita por vários líderes indicando que seu país estava a postos para lutar contra quem o colonizava. Mas e o que isso tem a ver com a Amazônia?
Seria a “independência da Amazônia”, um movimento separatista que deseja retirar do Brasil e dos outros países latinos a posse da floresta? Bom, o assunto é mais amplo do que parece, e não é apenas mais um movimento querendo dividir e redividir um Estado.
Em pleno 7 de setembro, quando o Brasil comemora sua independência (de outros países), podemos pensar o quanto os outros países, e o próprio Brasil, dependem da Floresta Amazônica.
Sim, o planeta inteiro depende da Amazônia, pois sem ela, o clima global, correntes marinhas e a própria vida como conhecemos entrariam em colapso. Tudo está tão correlacionado à existência desse bioma que poderia escrever outro texto somente sobre o quanto o planeta depende da floresta.
Um exemplo é a frase do ex-vice-presidente americano e Nobel da Paz, Al Gore, que disse em 1989: “Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é só deles, mas de todos nós”.
Porém, essa frase despertou no Brasil um sentimento de disputa, que provavelmente tenha sido o combustível que deu margem à difusão de uma farsa na internet que alegava que escolas norte-americanas ensinavam às crianças e adolescentes com livros onde a região amazônica não pertenceria ao Brasil, mas sendo território internacional.
Mas então, o que seria essa internacionalização (ou não) da Amazônia?
Segundo o dicionário, internacionalizar é ato de trazer algo sob controle internacional. No aspecto político, o termo pode referir-se à quebra de uma soberania nacional em determinada região. Vale lembrar que isso é algo que a legislação brasileira não permite, dizendo já no seu primeiro artigo, que “a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal…”
Para tanto, uma lista de prós e contras sobre a internacionalização foi criada.
A ideia de que ‘o interesse em tornar a Amazônia em um território internacionalizado seria um meio de outros países explorarem seus recursos’ é basicamente o principal argumento para proteger à soberania do Brasil.
“Interesse: o mundo tem interesse em derrubar a floresta para explorar”, “Os EUA querem a Floresta Amazônica para se tornarem cada vez mais ricos”. Mas, será que é isso mesmo?
Ou, como dito por alguns líderes internacionais: “O Brasil não tem condições de cuidar da própria Amazônia, afinal, se desmata mais lá do que em qualquer outro lugar.” Esse é o jeito brasileiro de cuidar do seu maior patrimônio. Sem falar das mudanças no atual Código Florestal Brasileiro, que favorece a derrubada de mais e mais árvores.
Claro que há conhecimento e capacidade para o Brasil cuidar da Amazônia, e também não podemos negar que se a Amazônia fosse realmente internacionalizada, caindo nas “mãos erradas”, poderia ser derrubada mais rápido ainda. Então o que falta para o Brasil? Temos uma sucessão de governos incompetentes e indolentes para cuidar da floresta. Vimos uma ministra defensora da Amazônia ser atacada por lobbies corporativistas até não aguentar mais e pedir para sair (ficando por isso mesmo). Vemos deputados que recebem dinheiro de empresas com interesses na derrubada da Amazônia votando a favor de um código florestal que valoriza e anistia desmatadores.
Mas qual a situação atual da Floresta?

Essa é a situação da Amazônia: recorde de desmatamento, recorde de queimadas, uso intensivo de agrotóxicos, monocultura e pastagem para gado.
Como li certa vez: “Se houver uma liga capaz de administrar a Amazônia e mantê-la intocada das mãos sujas dos gananciosos empresários que matam até a própria mãe por dinheiro, por mim que internacionalizem. E o brasileiro? Engula seu orgulho e admita que nunca fez nada para preservar a floresta e deixe quem quer, e sabe, fazê-lo.”
Estudos indicam que a Amazônia tem, também, um enorme potencial econômico. Um exemplo: multiplicando o valor de cada minério pelos estoques já medidos no subsolo da Amazônia, excluído o petróleo, estima-se um resultado impressionante de 7,2 trilhões de dólares. Repetindo: esse é o estoque já conhecido e, segundo os especialistas, há muito mais minérios sob a floresta do que as reservas já registradas. (Para ficar claro: isso tudo SE derrubada)
De pé, a floresta é atualmente o mais precioso tesouro ambiental do planeta, com inimaginável diversidade biológica e manancial de água potável. Maior floresta tropical do mundo, ela abriga 15% de todas as espécies de plantas e animais conhecidas. Responsável pelo controle climático global, renovadora atmosférica da poluição causada pelo homem. Sem ela, a capacidade de retirar o CO2 atmosférico se concentraria unicamente no oceano, pondo em risco a vida de diversas espécies de animais, que correriam o risco de extinguir-se; que poderiam sofrer extinção devido ao aumento da temperatura da Terra.
Agora, como a floresta vale mais? De pé ou derrubada? Para o Brasil, se a Amazônia fosse internacionalizada seria unicamente por ganância dos outros países para retirar todos os recursos econômicos possíveis.
Mas não é isso que o Brasil está fazendo hoje aos poucos?
A Amazônia é o maior patrimônio natural, e caso os brasileiros não se empenharem em realmente cuidarem, logo, não importará se nacional ou internacional, pois nem mais floresta ela será. Se nada for mudado, ela vai se tornar um enorme campo de gado e soja, na mão de gananciosos empresários da agroindústria. Acontecendo algo parecido com o que acontece hoje na floresta atlântica, onde menos de 7 % da sua mata original ainda está de pé.
E você, o que acha que seria a melhor solução do ponto de vista do planeta? Qual seria a melhor maneira de proteger essa riqueza natural tão importante para manutenção de nossa vida?
“Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, vocês vão entender que o dinheiro não se come”.
(frase de um nativo americano, muito difundida pelo Greenpeace)
Diego Onório, 25, estudante de Ciências Biológicas na Universidade do Vale do Paraíba. É ativista ambiental, e mora em São José dos Campos/SP. Ele mantém uma página no facebook com informações ambientais, acompanhe o SOS Meio Ambiente.


07. set, 2011 






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