Alalaôôô, mas que calôôôôr!!

Guarda chuva usado para se proteger do sol é cena comum nas ruas das cidades do Brasil. Foto: JP Rodrigues

Rio 50 graus, cidade maravilha purgatório da beleza e do caos…lará-lará”. Já sei, já sei, você vai dizer que a famosa música sucesso em meados dos anos 90 na voz da Fernanda Abreu não é assim, né? Pois, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a letra já pode ser atualizada. O Instituto informou, nesta segunda-feira (24), que o calor na cidade do Rio de Janeiro atingiu a marca de 40,1Cº, mas a sensação térmica foi de, conforme você esperto já pode prever, de absurdos 50 graus! A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um extenso relatório em 2007 sobre o aquecimento global. Diz que a temperatura média da terra deverá subir aproximadamente 3Cº nas próximas décadas devido à alta emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa.

Alguns espertos dizem que não acreditam no aquecimento global. Alegam que a Terra passa por vários ciclos de aquecimento e resfriamento em períodos específicos. É verdade. Mas isentar o homem e suas ações patéticas em busca do desenvolvimento e consumo desenfreado é de uma ingenuidade da mais digna estupidez. Mas todos, até os espertalhões, concordam que as cidades estão cada vez mais quentes, abafadas e beirando o insuportável. Ora, meu caro amigo, imagine as cidades, juntas, num patamar global? Simples como 2 + 2. O calor é claustrofóbico, angustiante. Pessoas reclamam de dores de cabeça e fadiga constantes. Idosos e crianças principalmente. Guarda-chuvas são promovidos às pressas guarda-sois. Agora pense numa cidade bem arborizada? Ah…sombra é outra história.

Estudos comprovam que em locais arborizados o clima diminui em até 4Cº. Portanto, corte a árvore em frente a tua casa! Isso, essa mesmo, que deixa a tua calçada sujinha de folhinhas secas, e depois vá brigar e estacionar o carro na sombrinha refrescante proporcionada pela árvore do vizinho! Vai espertão! Passeie com o cachorro e perceba seu desespero em andar pelo parco frescor proporcionado pela sombra do muro.

E as praças, cadê as árvores das praças? Quem aguenta namorar ou descansar em seu banco com o sol fritando os miolos? E dá-lhe carro na rua! Na cidade de São Paulo a média é de 1000 novos veículos por dia! Por dia! Dá-lhe CO2 na atmosfera. Gás de efeito estufa. Repare: a maioria absoluta dos veículos nas ruas tem somente o motorista ou no máximo também o co-piloto. Mora perto? Vão trabalhar/estudar/badalar na mesma direção? Dá carona! Racha a gasosa! Uma pessoa a mais no seu carro é um carro a menos na rua. Trânsito infernal. Horário de pico praticamente inexiste. Agora é o dia todo! Só de pensar já dá piripaque. E essas chuvas malucas? Pancadão, alaga ruas, destrói casas, mas pelo menos alivia o calor. Que nada! assim que o sol volta, minutos depois, é tão ardido que parece não chover há meses. A temperatura a cada ano tem aumentado, conforme prevê os estudos. Os mesmos estudos que ignoramos e fingimos não nos atingir. Santa ignorância! Se no verão passado usamos protetor fator quinze, esse ano foi o trinta. Ano que vem o quarenta e cinco, depois o sessenta e assim seguimos nos adaptando. Mas aí eu lhe pergunto caro leitor: até quando?

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  • Guilherme Bonaldi

    Que o aquecimento global está ai é fato e considerações contra essa ou aquela teoria não ajudam a melhorar. Os “espertos” tem algo a acrescentar para o conhecimento dos não-espertos e vice versa. Nem tanto ao céu nem tanto ao mar em ambos os lados. Acho que devemos unir os dois lados para melhor informar os leigos e assim trabalharmos de uma forma concreta contra o aquecimento do planeta!

  • http://www.essetalmeioambiente.com Harlan Rodrigo

    “Forte onda de frio deixa norte dos EUA sob clima gelado” (22/01/2011)
    “Estados Unidos registam temperaturas mais baixas de sempre” (23/01/2011)
    “Frio ‘escapa’ do Ártico e derruba termômetros na Europa e nos Estados Unidos” (25/01/2011)
    “Frio mata milhares de peixes nos EUA, Brasil e Nova Zelândia ” (06/01/2011)
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    Bom, para falar de aquecimento global não devemos só pegar o exemplo do Brasil para justificá-lo, até porque se nós fossémos europeus, estadunidenses, asiáticos agora, com certeza estaríamos pensando o oposto. Também não é por essa via que devemos tratar do fenômeno do aquecimento global. Muitos dos “espertos” não são patrocinados por empresa nenhuma, ao contrário de muitos “burros” por aí, que torcem pro planeta aquecer e ganhar seus milhões em cima desse fenômento, que também é um discurso.

    Com essas poucas manchetes não quero dizer que não está aquecendo, mas, como falei antes, não é um exemplo local e regional que vai nos mostrar uma realidade global. É um problema escalar que ainda não se compreende bem.

  • Joao Paulo – Gestor Ambiental

    Caros,

    Sem dúvida alguma. O calor excessivo de um lado do hemisfério e frio do outro é mais uma amostra do desequilíbrio ambiental que vivenciamos. A nomenclatura disso, sinceramente, pouco importa. Quer chamar o calor recorde ou a geada de “mudanças climáticas”? Por mim tudo bem. É um termo mais justo, até, mas que engloba várias alterações. Hoje quem tá esquentando a cabeça somos nós, os brasileiros. Em meados de junho e julho a história muda: nós é quem vamos refrescar a cabeça e será a vez América do Norte e Europa fritar o coco. Ai escrevo sobre o frio e seus peculiares problemas. Cada época do ano deve ser tratada de acordo com suas necessidades. Meio do ano passado várias pessoas morreram de calor, da forma literal, nos USA. E tem outra: se não perecermos nem de um lado nem de outro, ainda corremos o risco de se lascar … pelo choque térmico! Thzam!