Agronegócio e a devastação do cerrado

Continuando a “série” sobre o cerrado brasileiro e depois de termos falado sobre as principais características desse domínio de natureza, resolvi finalizar abordando um pouco os impactos que ocorrem sobre ele. E não são nada poucos, por sinal.

Mapa de ocorrência do cerradoOriginalmente, o cerrado possui mais de 2 milhões de km² de áreas contínuas, contudo todo o desmatamento vem ano a ano destruindo áreas enormes do mesmo. Segundo informações de estudos do MMA (Ministério do Meio Ambiente), até 2008, já tinha sido devastados, por atividades antrópicas, cerca de 47,84%. É um número absurdamente grande. (Clicando aqui você terá maiores informações sobre estudo acerca dos desmatamentos dos biomas brasileiros).

Esse processo de devastação se deu com muita força a partir da década de 70 e foi impulsionado por migrantes da região sul, agricultores que resolveram sair de suas terras devido ao saturamento da atividade agrícola por lá e encontraram nas áreas de cerrado um cenário perfeito para expandir suas propriedades e usos (irracionais) da terra.

Tudo isso só foi possível devido ao aumento das técnicas agrícolas que permitiram a exploração daqueles solos ácidos e pouco férteis, por isso o uso de insumos (calagem, adubagem, agrotóxicos, etc) é muito grande por lá.

É nítido que os principais agentes responsáveis por todo esse processo de devastação está intrinsecamente relacionado com o agronegócio, que possui como principais características os grandes latifúndios (me perdoem a redundância), alta presença de tecnologia na produção, muito uso de insumos agrícolas, produção praticamente em monocultura, especialmente de grãos como soja e milho, apesar de ter uma presença grande de outras culturas, como o café, sorgo, cana-de-açúcar, do destino da produção, que em sua maioria é para exportação e a abertura das matas para pecuária extensiva, que é marcante na paisagem do cerrado, basta vermos cenas de algumas novelas que são gravadas lá.

Devido ao uso irresponsável do solo, onde não há preocupações sérias com as condições de suporte do solo para essas atividades que se dão com muita intensidade lá, há uma possibilidade grande de surgimento e avanço de desertificação, que é uma degradação intensa do solo causado, primordialmente, por atividades antrópicas que não estão aliadas com os ideais do conservacionismo. Isso é muito possível de se ocorrer devido aos tipos de solos que existem lá (pra quem estuda um pouco solos sabe que solos arenosos, como os neossolos quartazarênicos, são ideais para que ocorra esse tipo de impacto).

Área irrigada por pivô central

Algumas técnicas de irrigação causam impactos absurdos nesse bioma, como a irrigação por pivôs centrais. Cada máquina desta pode irrigar uma área de até 104 hectares, mas, para isso, utiliza bastante água e bastante energia. Todas elas se localizam perto dos rios para retirar com tranquilidade as águas dos rios e jogam na plantação, às vezes misturado com agrotóxicos. Infelizmente não tenho o livro agora, mas Rogério Haesbaert, geógrafo, já fez estudos importantes acerca desses processos de ocupação e devastação do cerrado, especialmente no oeste baiano, e traz boas informações sobre isso.

Observando ainda um mapa, que você pode ver clicando aqui de devastação deste domínio, produzido pelo MMA, vemos que os principais pontos de expansão das fronteiras agrícolas se dá no oeste baiano, nas bordas da amazônia e indo para o meio-norte, isso porque toda a porção sul do cerrado já foi amplamente devastada, agora chegou a vez da porção norte. É triste isso e deveriam ocorrer ações mais efetivas e fortes do governo com relação aos problemas do cerrado, pensando mais nas questões socioambientais deste domínio e não somente nas questões financeiras conseguidas pelo agronegócio, porque isso traz muitos, mas muitos prejuízos mesmo, tanto para o meio ambiente quanto para as pessoas (isso também é redundante).

Acho melhor parar por aqui, mas poderia escrever muito mais sobre o cerrado, nos seus diversos aspectos. Mas a ideia é que, a partir de temas como esse, possamos discutir mais (todos nós, blogueiros ou não) com amigos, em casa, em sala de aula, na mídia, sobre outros biomas, sobre outras áreas, sobre temas que são muito importantes, mas que pouco abordados.

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