A LUTA DOS VERDES EM DEFESA DO CÓDIGO FLORESTAL

Por Diego Onório*

Como todos os outros escândalos e polêmicas neste Brasil que se tornaram “banais”, uma pergunta que não quer calar: Será que o Código Florestal acabou ficando, também, com a imagem de algo banal?

Apesar de alguns deputados terem dito que nunca viram um envolvimento aparentemente tão grande, ou ainda, uma plenária lotada, durante a discussão sobre as mudanças no Código Florestal, o assunto, com o passar dos dias, foi saindo de cena.

A grande manobra política para mascarar o problema e atender à bancada ruralista – com uma pequena ajuda da mídia – se encarregou de dar uma nova cara para o polêmico Código Florestal.

Em boa parte do discurso midiático e ruralista, o Código Florestal vem somente para ‘’Proteger e preservar o meio ambiente’’, com um discurso mais preocupado com “regularizar o pequeno produtor, aumentar a produção de alimento”. E tem mais: seja qual for o cidadão que se posicione contra as mudanças no Código Florestal, a sentença é a mesma: “ambientalistas a serviço dos estrangeiros!”, “ambientalistas não sabem do que estão falando” “eles (os ambientalistas) nem leram o que o CF propõe “, “não pensam no bem-estar das pessoas!”, “ambientalistas são contra os pequenos agricultores!”

Agora vemos os primeiros sinais quem antecedem um provável acontecimento: A definitiva aprovação das mudanças do Código Florestal.

Em pleno 21 de setembro, dia estabelecido como ‘’dia da árvore’’, vemos na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado mais um passo da vitória ruralista, mais um passo rumo à destruição de milhares de hectares de florestas e áreas de preservação.

E desta vez os senadores contam com a acomodação do povo brasileiro para sua vitória, pois mesmo com uma explicita alteração no texto que, agora além de favorecer latifundiários, beneficiam empreiteiras e desfavorece o meio ambiente, concedendo a autorização para derrubada de milhares de árvores.

Fica a dúvida se os assassinatos de ambientalistas no norte do país, por conta do desmatamento, foramem vão.  O covarde assassinato do casal José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, que viviam da coleta de castanhas no Pará e denunciavam o comércio ilegal de madeira e carvão, ou assassinato do o agricultor Erenilton Pereira dos Santos, de 25 anos, que foi encontrado morto no dia seguinte por ser a principal testemunha no caso do assassinato, se tornaram banais?  (Ainda se formos citar todos os casos, iriam parágrafos e mais parágrafos neste texto)

Mesmo a população tendo se mostrado 80% contra estas alterações, os que vão às ruas não passam de 1%, resultado da velha arte brasileira de mascarar fatos, crimes, onde tudo acaba ‘’em pizza’’. Os políticos contam com o seu bravo povo que calado e inerte assistirá a sentença que garantirá a destruição do meio ambiente e favorecerá aos grandes produtores na verdade.  Os mesmos políticos que colocam os ambientalistas no papel dos vilões do desenvolvimento do país realmente esperam que a população acredite que avançar sobre florestas, encostas e nascentes não trará problema algum para o equilíbrio do ambiente.

Acorda Brasil, e olhemos a que ponto nós estamos.

Ainda há os que acreditam piamente que sobre a fala da Presidente, que supostamente demonstra a posição final do governo, onde “acredita-se que (ela) manterá a coerência e o compromisso que sempre teve com as questões ligadas diretamente a vida dos brasileiros e das brasileiras; optando pelo veto ao texto  da forma como foi aprovado”.

Agora, você acredita mesmo que isso vai acontecer? E no último segundo do segundo tempo a presidente vai vetar o Código? Isto é, como no ditado popular, ‘’história para boi dormir’’, mas em minha opinião é ‘’história para brasileiro dormir’’.

SE definitivamente a população não se levantar, os jovens não acordarem, um Brasil bem menos verde é o próximo que passa a existir, pois esperar que o governo ouça uma população que está calada é o mesmo que acreditarem papai Noel…

Diego Onório, 25, estudante de Ciências Biológicas na Universidade do Vale do Paraíba. É ativista ambiental, e mora em São José dos Campos/SP. Ele mantém uma página no facebook com informações ambientais, acompanhe o SOS Meio Ambiente.

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  • http://www.facebook.com/geldescastro Geldes Castro

    Embora as pressões da sociedade civil e suas organizações cresçam a cada dia em relação ao meio ambiente, parece crescer também o interesse de determinados grupos em diminuir as reservas naturais do planeta. Os efeitos do trato perverso dispensado à natureza são sentidos a cada dia, fato este que percebemos diariamente ao assistir os noticiários que mostram um rol de desastres naturais ao redor do planeta. É urgente que a sociedade perceba os retrocessos e interesses envoltos no novo código florestal e se mobilize contra isso.http://ambienteamazonia.blogspot.com/

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    Embora as pressões da sociedade civil e suas organizações cresçam a cada dia em relação ao meio ambiente, parece crescer também o interesse de determinados grupos em diminuir as reservas naturais do planeta. Os efeitos do trato perverso dispensado à natureza são sentidos a cada dia, fato este que percebemos diariamente ao assistir os noticiários que mostram um rol de desastres naturais ao redor do planeta. É urgente que a sociedade perceba os retrocessos e interesses envoltos no novo código florestal e se mobilize contra isso.http://ambienteamazonia.blogspot.com/

  • Michelli Costa

    Infelizmente nós brasileiros (a grande maioria) somos cômodos, empurramos com a barriga quando o calo não está diretamente no nosso dedão do pé, então, muitas mortes em defesa do meio ambiente foi em vão, e muitas ainda serão. O homem está tecnológico d+++ e se acha auto suficiente d++++ pra subestimar a natureza, é a “casa” caindo e nada muda, as atitudes não mudam a não ser em prol do lucro e mais lucro.