A COP-16 à beira de um fracasso
“Há muita falta de coragem aqui“, resumiu o negociador maltês Michael Zammit Cutajar sobre as ações na 16° Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-16). Cutajar foi um dos idealizadores da convenção e do Protocolo de Kyoto, e foi também o primeiro secretário-executivo do órgão.
Segundo ele, os países participantes estão mais preocupados em não serem responsabilizados pelo fracasso da conferência, do que com o sucesso desta. Em entrevista a Folha, o diplomata contou que quando o Japão declarou que não se associaria a uma segunda fase de Kyoto, o que ameaça o sucesso da conferência de Cancún, o sentimento de muitos países foi de alívio.
Não foi uma grande surpresa o Japão declarar que não tem intenção de assumir metas de redução de emissões na segunda fase de Kyoto, afinal, seus dois maiores concorrentes comerciais, China e EUA, seguiriam sem nenhum compromisso legal pelos próximos anos.
Apesar de oficialmente continuar afirmando que não assumirá compromissos com a continuidade de Kyoto, persiste um clima otimista nos bastidores das negociações. O negociador-chefe da delegação brasileira, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, disse, em entrevista publicada no Portal Terra, que está “cautelosamente otimista”. “Ainda temos tempo e vemos que as delegações estão comprometidas em buscar uma solução”, afirmou.
Embora ainda não se tenha um acordo fechado em Cancún – e amanhã é o último dia do encontro, algumas decisões já foram tomadas, infelizmente nada muito ambicioso. Veja abaixo uma lista feita pelo jornal Folha, contendo as principais medidas da COP-16:
AÇÕES FUTURAS (VISÃO COMPARTILHADA)
* Os países reconhecem que o aquecimento global é inequívoco;
* As nações devem cooperar para estabilizar as concentrações de CO2 na atmosfera “bem abaixo” das 350 partes por milhão.
ADAPTAÇÃO
* Países desenvolvidos deverão financiar as ações de adaptação em países em desenvolvimento;
* Os países podem estabelecer um Comitê de Adaptação para implementar ações nesse sentido, ou podem simplesmente continuar pensando no assunto.
MITIGAÇÃO
* O ano-base para as reduções de emissão pelos países ricos será 1990, e não 2005, como queriam os EUA;
* Não há consenso sobre a produção de um acordo legalmente vinculante que inclua os EUA e os países em desenvolvimento;
* Não há o reconhecimento formal do “buraco” de 5 bilhões de toneladas de CO2 nas ações hoje propostas.


09. dez, 2010 






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