A importância do cerrado
Semana passada, o blog fez vários posts especiais em relação ao dia internacional para conservação das florestas. Pegando gancho deles, fiz igual a Diêgo, e escrevi 95% desse post no ônibus, enquanto caía uma tempestade do lado de fora e, dentro dele, um calor grande e um aperto desumano.
Pela imponência que as florestas transmitem a nós, com suas árvores de grande porte, vegetação densa e, em sua grande maioria, predominância do verde – daí, talvez, esta cor tenha se tornado um símbolo da defesa do meio ambiente –, acabamos muitas vezes por esquecer de outros grandes e importantes domínios de natureza, ou simplesmente biomas, do nosso país.
O cerrado se constitui no segundo maior bioma brasileiro, ocupando uma área de aproximadamente 21% do território nacional. Este bioma é considerado a savana mais rica em biodiversidade de todo o mundo, maior até do que as típicas savanas africanas. Ao todo, possui cerca de 10.000 espécies de plantas, sendo que destas, 4.400 são endêmicas, ou seja, só existem nestes locais, além da fauna ser bem diversa, com destaque para as aves e os animais de grande porte.
Sua vegetação é caracterizada por arbustos retorcidos e, em sua maioria, de médio e pequeno porte como forma de adaptação ao solo ácido e pobre em nutrientes, o que pode transmitir uma ideia de deficiência hídrica, como na caatinga. Mas é apenas uma falsa ideia.
Neste domínio há a maior riqueza hídrica, principalmente em termos de importância socioambiental, para o Estado nacional e pro povo brasileiro, ao meu ver (rs). O regime de chuvas anual é bastante característico, apesar de haver variações, às vezes normais outras vezes não, são fartas de setembro a março, sendo até raro, nos outros meses, ela vir. Contudo, apesar de ficar quase metade do ano sem chover, a presença de rochas sedimentares, e o relevo de planaltos e chapadões planos em quase a totalidade de sua extensão, permite que a água da chuva infiltre no solo e fique retida nos horizontes subterrâneos. Um exemplo disso é a presença dos dois maiores aquíferos do país lá – O Guarani e o Urucuia, onde este se localiza no oeste baiano.
Os afluentes dos principais rios brasileiros nascem no cerrado, isso significa dizer que ele é o grande distribuidor e abastecedor deles, especialmente o Rio Amazonas (em porções da margem direita), o Rio São Francisco (onde este possui 47% de sua área neste bioma, sendo que do total de sua vazão, 94% da água vem do cerrado), o Rio Paraguai e Paraná (este com 75% da vazão se originando no cerrado), que são importantes para escoamento da produção de grãos e da produção de energia elétrica, respectivamente, o Tocantins-Araguaia, um dos principais rios da região norte, entre outros.

Estima-se que 95% de toda a energia hidrelétrica produzida no nosso país depende das águas do cerrado. Número extremamente alto, que demonstra o enorme potencial deste domínio de natureza.
Pena que seja muito negligenciado pelas autoridades governamentais, que não dedicam esforços suficientes para a sua conservação e mesmo de nós, habitantes “comuns” desse país, que esquecemos de biomas paisagisticamente (em termos visuais somente) mais pobres colocando-os em patamares menores se comparando com as florestas equatoriais e tropicais do Brasil.
Acredito que este post seja importante para mostrar a importância de outros biomas brasileiros, inclusive para estudantes, que, acredito, possam compreender melhor o importante papel que o domínio do cerrado exerce, positivamente, para a sociedade. Em outro post falarei um pouco sobre o intenso processo de destruição do meio ambiente deste bioma, especialmente com a expansão das fronteiras agrícolas de latifúndios monoculturas.
Esse monocromatismo da natureza, ou seja, só o verde, “nada tem a ver com a variedade de cores que a natureza, em qualquer período [e espaço], tem” (Wendel Henrique). De uma forma ou de outra, precisamos abrir mais nossas mentes e discussões para outros espaços tão importantes quanto às belas florestas verdes (?) do nosso mundo.


24. jul, 2010 






Autor



















Parabéns pelo post!
Sim, esse tipo de informação é muito importante, para conscientização da população, já para os nossos governantes nem tanto… infelizmente! =/
Eu entendi perfeitamente o que foi apresentado aqui, mas quando diz que é um bioma pobre visualmente, devo discordar… é extremamente rico… moro em Minas em meio ao Cerrado, porém minha região tem se tornado literalmente em um canavial. Essa destruição da mata nativa torna o Cerrado, admito, em uma região pobre em termos visuais. O pouco que andei por esse bioma em regiões preservadas considero ele de uma beleza inigualável, de fato o que podemos concluir sobre o Cerrado vem a partir do que resta das influências antrópicas e que de fato o torna um ambiente pobre. Lembrando que o Cerrado foi considerado um hotspot devido a sua grande diversidade… sendo assim é impossível caracterizá-lo como pobre… principalmente quando se conhece ao menos um pouco deste bioma.
Mas enfim… parabéns pelo trabalho!
Abraços!
@luke_queiroz
Oi Lucas,
Então, eu adoro o cerrado! Moro pertinho de Salvador, mas já fiz algumas viagens para áreas de cerrado, especificamente para o oeste baiano e para Brasília. Acho lindo. Adoro as matas-galerias, as áreas de buritizais, os campos, com seus arbustros característicos e tal…Gosto mesmo também.
Eu me expressei errado, não era bem o que queria dizer. Eu pensava em escrever isso, mas quis usar outras palavras, aí saiu errado mesmo. Era falar da monotonia da paisagem do cerrado, onde nós corremos ele e a paisagem não muda. Falo pobre nesse sentido, mas pobre não é a palavra certa, realmente.
Como alguns autores da Geografia citam, essa monotonia só é quebrada pela áreas de matas-galerias e dos buritizais. Mas mesmo assim acho lindo esse domínio.
=)
muito bom!!
faltam posts desse tipo na internet.
parabéns.
muito bom!
Parabéns pelo post e pelo site, é minha primeira visita aqui. Pode ter certeza que já coloquei nos meus “favoritos”.
E concordo com o Douglas…
Faltam posts desse tipo na internet.