“Verás que um filho teu não foge à luta”: a luta de brasileiros na defesa da Floresta Amazônia

“Mas se ergues da justiça a clava forte,

Verás que um filho teu não foge à luta (…)”

Na véspera do Dia da Independência do Brasil, e um dia após a reflexão sobre o Dia da Amazônia, o E esse tal Meio Ambiente? faz questão de lembrar de brasileiros, que são por vezes ignorados/esquecidos pela sociedade e pelo governo do país.

No mês de junho deste ano, cinco pessoas foram mortas em menos de duas semanas. Essas pessoas eram líderes extrativistas, ambientalistas, que lutavam na defesa da Floresta Amazônica, e foram mortos por se recusarem a abandonar áreas de conservação, ou  suas terras, ou por terem denunciados madeireiros e grilheiros.

A morte mais noticiada pela impressa foi a do casal de extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo. Eles foram mortos em uma “tocaia”, os assassinos já os esperavam na estrada que dava acesso ao assentamento onde residiam. Infelizmente, a morte do líder extrativista e de sua esposa não foi uma surpresa. José Claudio já estava na lista de pessoas ameaçadas de morte desde 2005.

Outro líder extrativista ameaçado de morte há muito tempo, desde 2004 para ser exato, é o senhor Raimundo Belmiro, de 46 anos, o prêmio por sua cabeça é de R$ 80 mil. Raimundo vivia na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, no Pará, que foi criada em novembro de 2004, pelo então presidente Lula.

A reserva foi criada após o líder extrativista ter sido retirado da floresta por ordem da ex-ministra Marina Silva, e para que fosse levado à Brasília para que contasse à guerra que acontecia na floresta. Na época, Marina disse: “O Estado e a sociedade brasileira têm uma dívida com a população extrativista que presta um serviço lá no coração da Amazônia, protegendo a nossa biodiversidade, cuidando dos rios e das florestas”. Parece que este não é mais o pensamento do governo brasileiro.

A sociedade brasileira, e seu governo, sabiam das ameaças de morte ao José Claudio, e sabem hoje da ameaça ao Raimundo Belmiro, e a tantos outros líderes e ambientalistas que vivem na Floresta Amazônia, e não têm certeza se o termo correto seria viver.

Em reportagem publicada na revista Época, em 2005, Maria de Fátima da Silva Nunes contou como é viver sob a ameaça de morte: “Posso ser assassinada a qualquer momento. Quando eu abro uma porta, já espero receber um tiro. Tem gente que diz que sabe como é viver jurado de morte. Mas não sabe. Estar marcada para morrer é viver sem sonho, é só ter momento. É não ter mais casa nem paradeiro, é não ser mais ninguém. É dizer para quem anda contigo que é para não andar mais porque vai morrer. É marcar os amigos de morte também e depois se sentir culpada. É uma sensação tão ruim. Parece que as luzes vão se apagando, que o mundo vai ficando escuro. Nem sinto mais saudade da vida porque não acho bonito nada”. Maria de Fátima ainda vive sob a ameaça de morte, ainda vive fugindo.

A intenção com este post não era fazer um denúncia, afinal, as autoridades já sabem dessa realidade, e conhecem o nome de todos os cidadãos brasileiros ameaçados de mortes por sua luta ambiental; se não fazem nada, é por não o querem, não é de seu interesse. A intenção com este post é homenagear esses ambientalistas, e acredito que a única forma de fazer isto é contando suas histórias. Esperemos que algo seja feito, mas só o será se denunciarmos e pressionarmos as autoridades competentes. Esse é nosso papel aqui no blog. Esse é o meu e o seu papel como cidadãos.

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  • Antonio

    Gostei do texto. Temos que lutar pela conservação das nossas florestas. Hoje essa batalha é travada no Congresso, por causa da reforma do código florestal. Vamos ficar de olho.